Inovação em Cidadania: Conheça a Colab.re

Olá a todos,

O post de hoje é sobre a colab.re, uma startup que incentiva que as pessoas participem mais na gestão de sua própria cidade. Leia a entrevista com o Bruno Aracaty e conheça mais sobre o backstage dessa startup. Se você se interessou ou gostaria de deixar um comentário abaixo, sinta-se à vontade. Vamos à entrevista:

Como você descreveria a colab.re?
Bruno: Colab.re é uma rede social de cidadania, na qual cidadãos podem publicar problemas das cidades, propor melhorias urbanas, avaliar serviços públicos e participar da tomada de decisão e de utilização de recursos públicos. Do outro lado, a plataforma se conecta a prefeituras, outras entidades de governo, empresas de utilities e prestadores de serviço / concessões públicas oferecendo CRM, gestão de workflow e consultas públicas online. O Colab.re possui mais de 100mil usuários no Brasil e mais de 90 clientes, incluindo prefeituras como Curitiba, Porto Alegre, Santos, Campinas, Niterói, Natal, Pelotas, Brasília e Salvador.

De onde veio a ideia?
Bruno: O Colab.re surgiu por vermos que o cidadão brasileiro naturalmente usa as redes sociais para expor problemas e debater sobre melhorias das cidades brasileiras. Enquanto trabalhávamos no marketing digital de algumas campanhas políticas nas eleições municipais de 2012, vimos que isso acontecia em por todo o país, ao mesmo tempo em que, por estarmos muito próximos a esses prefeitos/candidatos, enxergamos também que grande parte dessa demanda exposta pela população não era estruturada e acabava sem efeitos práticos imediatos por parte da gestão. Por isso, criamos o Colab.re, para servir como uma ponte ligando, de um lado, cidadãos querendo falar e ser ouvidos e, do outro lado, o poder público sem conseguir agir efetivamente. Tudo isso começou em março de 2012, com o que chamamos de “campanha colaborativa”, na qual as propostas de governo seriam baseadas na participação efetiva das pessoas, migrando depois para o conceito atual de gestão colaborativa.

O que você mais gosta no setor?
Bruno: O fato de podermos promover o empoderamento do cidadão no que tange a melhoria da qualidade de vidas das pessoas nas cidades, ao mesmo tempo em que buscamos transformar os governos de dentro para fora, trazendo eficiência e sustentabilidade no uso dos recursos públicos.

Como você obtém feedback de seus clientes?
Bruno: Hoje, temos duas equipes focadas em obter feedback dos usuários e clientes, trabalhando em melhorar o engajamento na plataforma. Uma dessas equipes interage diretamente com os cidadãos e a outra trabalha diretamente com as pessoas de dentro das entidades públicas. Recebemos feedbacks tanto de forma estruturada, em momentos de pesquisa, quanto de forma espontânea, a partir do momento em que a nossa rede se importa com o melhor funcionamento de plataforma.

Como você sabe se o produto está resolvendo as necessidades dos clientes?
Bruno: Quantitativamente, analisando os números de cidadãos na rede, de publicações feitas, além das taxas de resposta/atendimento e solução. Qualitativamente, através dos feedbacks espontâneos e obtidos nas pesquisas.

Qual foi o principal desafio que você enfrentou até hoje na sua startup?
Bruno: O principal desafio foi adaptar as métricas e a lógica das startups para o mundo do empreendedorismo de impacto social positivo. Entendermos que os recursos necessários, o ciclo de venda e a metodologia de desenvolvimento de produto são diferentes e possuem nuances específicas do setor foi um enorme desafio, pois impacta a relação com o time, com investidores e com a própria expectativa dos sócios. Hoje, somos referência mundial no setor e ter superado esse desafio foi um dos principais passos que demos na nossa história.

Quais são as vantagens de ser um empreendedor no Brasil? E as desvantagens?
Bruno: Olhando para o cenário de empreendedorismo no Brasil, a grande vantagem é a quantidade de desafios e problemas que temos para resolver, aliada à criatividade do brasileiro. O maior obstáculo, por sua vez, está na cultura das pessoas. Esse fator cultural influencia tanto os que querem empreender, mas nunca tiveram a educação ou a estrutura comportamental desenvolvida para tal, quanto o ambiente como um todo, que falha em permitir - ou admitir - erros e reconstruções. Além disso, há os obstáculos óbvios e que, invariavelmente, afetam a todos, como: excesso de burocracia, capital caro e de difícil acesso, e escassez de profissionais qualificados.

O que você mais gosta na sua rotina diária?
Bruno: Eu não possuo algo que posso chamar de “rotina diária”. Mas, alguns dias, quando não estou viajando, vou a pé de casa para o escritório ouvindo música ou ouvindo podcasts. É um momento que limpo minha mente e me preparo para o que preciso fazer durante o dia.

Como você se imagina em 10 anos?
Bruno: Em 10 anos, gostaria de estar multiplicando tudo o que aprendi e ajudando outros empreendedores a ter sucesso causando impacto positivo no mundo.

Se você tivesse 1 bilhão de reais para melhorar o Brasil, como você gastaria o dinheiro?
Bruno: Eu financiaria a contratação do Colab.re para todos os governos e prefeituras do país.

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Até a próxima!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups

Foto por Lais Papaleo

Inovação e Interatividade em Mobilidade: Conheça a Tripda


Olá a todos, como estão?

A entrevista de hoje é com o Eduarto Prota, Global Co-Founder na Tripda. Hoje vocês irão conhecer um pouco mais dessa startup super interessante que está inovando em mobilidade. Se você ainda não ouviu falar da Tripda, essa é uma ótima oportunidade para saber como funciona e também entender o "backstage" e os desafios que os empreendedores enfrentaram e enfrentam até chegar onde estão. Confira a entrevista abaixo:

Como você descreveria a Tripda?
Eduardo: A Tripda é uma plataforma de transportes colaborativos que conecta motoristas e passageiros fazendo a mesma rota. Pela Tripda, motoristas podem dividir seus custos de viagem e passageiros viajam de forma mais econômica (custo inferior a viajar de ônibus e avião), conveniente (passageiro pode buscar viagens saindo do ponto mais próximo À sua casa ou trabalho), confortável e divertida. Passageiros e condutores podem estabelecer preferências de viagens, trocar mensagens e filtrar parceiros que fazem rotas similares.

De onde veio a ideia?
Eduardo: Da experiência de estudar em uma cidade e morar ou trabalhar em outra. Eu e meu sócio, Pedro Meduna, estudamos ou trabalhamos em São Paulo e saíamos da metrópole para visitar familiares no interior do estado (Ribeirão Preto e Campinas). Com isso gastávamos uma alta quantia de dinheiro para pagar combustível e pedágios ou tinham que recorrer aos ônibus. Percebemos que boa parte dos carros na estrada transportava apenas uma ou duas pessoas, criando um sentimento de que com mais pessoas compartilhando, teríamos pelo menos metade dos veículos circulando. Gostamos da ideia de melhorar a experiência de viagem e decidimos seguir em frente com o plano de transformar caronas em uma alternativa viável de transporte.

O que você mais gosta no setor?
Eduardo: Estamos no setor de transportes, criando soluções através de ferramentas da economia colaborativa. O setor de transportes... Sharing economy... os dois juntos...

Como você obtém feedback de seus clientes?
Eduardo: 3 formas: “orgânica”, qualitativa e quantitativa.
- Orgânica: Temos um time local em cada país que atuamos. Estas pessoas estão em contato constante com nossos usuários em ações em faculdades, eventos, etc. Os feedbacks ouvidos são compartilhados com os times de MKT e Produtos através de ferramentas como JIRA e calls semanais. Estes feedbacks são então analisados e implementados quando procedentes.

- Qualitativa: De tempos em tempos fazemos pesquisas de campo buscando entender os principais problemas que nossos usuários enfrentam ao usar nossa plataforma. Em geral estas pesquisas são feitas por pessoas do time de Produtos, que reserva caronas e viaja com usuários para capturar a percepção do cliente durante o uso do serviço.

Além disso, todos os funcionários são estimulados a usar o serviço e compartilhar a experiência com os demais em reuniões mensais ou email.

Fazemos ainda o que chamamos de “ligações de retenção”, em que ligamos para usuários que usavam nossa plataforma mas, por algum motivo, deixaram de fazê-lo.

- Quantitativa: Usamos a metodologia NPS para acompanhar de forma mais quantitativa a evolução da satisfação com o uso da nossa plataforma. Aplicamos o formulário tanto quando usuários acessam nosso site quanto através de email. Damos especial atenção para os usuários que dizem não estar satisfeitos com a plataforma e nos explicam por que. Diversas vezes contatamos esses usuários e discutimos oportunidades de melhoria.

Usamos bastante também os feedbacks disponibilizados nas App stores.

Além disso, acompanhamos de perto os “feedbacks não expressos” que os usuários dão ao usar ou deixar de usar features específicas de produto.
 
Como você sabe se o produto está resolvendo as necessidades dos clientes?
Eduardo: Esta não é uma pergunta de fácil resposta. Muitos dizem que “quando você encontrar Product/Market fit, saberá”. Primeiro é preciso saber exatamente qual a necessidade que você quer resolver e de qual cliente. Por algum tempo erramos por querem resolver muitos problemas de todos os nossos usuários.

Dado que hoje temos um target e um problema claros, procuramos avaliar se estamos evoluindo na solução para o cliente através de:

- NPS do público alvo: A evolução no NPS é um indicador de Product/Market fit.

- Melhoria de indicadores: Por exemplo, um indicador importante que temos é o percentual de viagens reservadas dentre aquelas ofertadas. A evolução deste indicador mostra que ambos lados da plataforma estão ficando satisfeitos.

- Melhoria dos indicadores do “Engine of Growth”:  A melhoria dos indicadores típicos do “Engine of Growth” utilizado evidencia a melhoria do Product/Market fit. No nosso caso, consideramos a redução do CAC (custo de aquisição de clientes) e melhoria da relação novo usuário/churn.

Qual foi o principal desafio que você enfrentou até hoje na sua startup?
Eduardo: Nosso maior desafio foi com certeza montar um time que foi de 10 pessoas para mais de cem em 3-4 meses. Na realidade, o maior desafio não foi montar o time, mas mantê-lo coeso e motivado enquanto a empresa ainda está em estágio inicial, sem processos formais, canais de comunicação estruturados, papéis estabelecidos, etc. Esta dificuldade foi ainda maior na Tripda pois neste mesmo período de 3-4 meses pulamos de 1 para 13 países em LATAM, US e Asia, com times locais na maioria deles.

Quais são as vantagens de ser um empreendedor no Brasil? E as desvantagens?
Eduardo: Vou utilizar os Estados Unidos como base de comparação para avaliar vantagens e desvantagens. Não temos um ecossistema empreendedor envolvendo, universidades, investidores, mentores e startups. Isso reduz a probabilidade de cada Startup de obter sucesso. Destaco a falta de investidores brasileiros dispostos a investir tickets maiores em ventures locais, há diversos VCs e Angels para seed Money e round A, mas poucos para Round B. A burocracia brasileira, principalmente relacionada à contratação, é outra grande desvantagem. O ambiente de trabalho em Startups é mais flexível mas a CLT engessa as possibilidades de implementar modelos que favoreceriam tanto ao empregador quanto ao empregado.

A vantagem de empreender no Brasil é que o mercado ainda está se construindo. Existem muitas oportunidades para Startups e os consumidores/usuários ainda não estão saturados por novidades como os Americanos.

O que você mais gosta na sua rotina diária?
Eduardo: Observar como cada colaborador chega ao trabalho. Sei que estou fazendo meu trabalho quando vejo a energia do pessoal ao vir pro trabalho e procuro resolver rapidamente as situações em que alguém não parece bem.

Como você se imagina em 10 anos?
Eduardo: Andando de carona para qualquer lugar do mundo.

Se você tivesse 1 bilhão de reais para melhorar o Brasil, como você gastaria o dinheiro?
Eduardo: Investindo na aproximação entre Universidades e Startups, minerando boas ideias dentro de universidades que não veem a luz em função da burocracia da estrutura atual e levando para as Universidades o conhecimento prático do empreendedorismo.



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Até a próxima!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups

O Futuro da Comunicação: Recbits e a Interatividade em Vídeo

Olá a todos!

O post de hoje é sobre a recbits, uma startup que inova ao elevar o vídeo a um novo patamar: de resposta a questinonários à construção de projetos interativos mais complexos.

Confira abaixo entrevista com o José Octavio de Castro Neves, o CEO e CO-Founder da recbits. Cada uma das respostas foi gravada também dentro da plataforma (para cada pergunta existe a resposta em texto e a resposta em vídeo logo abaixo), sinta-se à vontade para escolher se você irá ler ou assistir o vídeo correspondente!

Caso queira expressar sua opinião, sinta-se à vontade para usar os comentários abaixo. Vamos à entrevista:


1- Como você descreveria a recbits?

José Octavio: Olá Luiza tudo bem? Primeiramente gostaria de te agradecer por me convidar para participar dessa entrevista. Só fã do seu trabalho, gosto muito do resultado que você traz à comunidade. Dando sequência a sua pergunta, o recbits é uma plataforma de vídeo, essencialmente, nós procuramos resolver a jornada do cliente, da pessoa que quer gerar conteúdo em vídeo, de forma muito mais simples, rápida e de fácil acesso. Existem muitas aplicações para o recbits, mas em uma frase ele seria um SurveyMonkey apenas em vídeo, ele funciona no formato de perguntas e respostas, que inclusive nasceu da necessidade de um cliente nosso que conto mais para frente sobre, a nossa ideia então é permitir e facilitar que pessoas e marcas que precisem gerar conteúdo em vídeo possam usar o recbits como uma ferramenta simples de comunicar sua demanda por conteúdo em vídeo, ou seja, você cria um projeto simples no recbits, faz suas perguntas e dispara os convites por email através de nossa plataforma ou disponibilizamos uma url para que seja compartilhada em qualquer rede social, fazemos a captação desse vídeo em qualquer dispositivo (celulares, tablets, laptops e desktops) e esse vídeo é salvo diretamente na nuvem de forma centralizada e controlada, ajudando assim as empresas e pessoas a organizarem esse acervo de vídeos e depois vem a parte de publicação dos vídeos que acontece através de nosso widget de forma bem simples apenas em um copy e paste.



2- De onde veio a ideia?

José Octavio: A ideia do recbits surgiu através de um dos nossos clientes, na verdade da Full Squad, que é nossa empresa principal de tecnologia e desenvolvimento, como nós atendemos agências e clientes em geral, sempre flertamos com determinadas demandas do mercado e dessa vez a Editora Trip chegou até nós com uma ideia de criar um email com algumas perguntas e que as pessoas sempre respondessem em video. Com isso surgiu a ideia do recbits dias após essa conversa onde vimos que essa necessidade de facilitar esse meio de campo entre pessoas e empresa que querem e precisam de conteúdo em vídeo com pessoas que são a fonte desse conteúdo. Então nós cercamos essa ideia, pensamos em como implementá-la e ficou evidente que precisava-se criar um produto para atender essa demanda do mercado.



3 - O que você mais gosta no setor:

José Octavio: O setor de empreendedorismo sempre me fascinou seja porque ele traga esse sentimento de que você está fazendo algo para mudar o mundo, por mais clichê que seja, me parece que o retorno desse esforço é algo muito gratificante, apesar de ser muito difícil, é algo faz você continuar respirando e tocando a vida em frente. Todo o ciclo de você ter a ideia, formatá-la, repensá-la e implementá-la é muito enobrecedor e muito complicado ao mesmo tempo, mas o que mais me interessa é justamente esse sentimento de você trazer algo novo para o mercado e que queira, genuinamente, resolver algum problema ou trazer alguma solução que pode ser melhor realizada. Toda essa ideia do setor é muito bacana e você vivenciar isso ao lado de outras empresas que têm o mesmo ímpeto e que estão no mesmo barco, às vezes concorrentes ou não, mas isso é o que menos importa, porque ali na frente você nunca sabe como esse ecossistema pode vir propor novos desafios que demandem trabalhos em conjunto. Isso é muito bacana desse momento que vivemos hoje e muita coisa boa deve acontecer e que de certa forma podemos dizer que fará parte de nosso futuro em uma escala real.



4 - Como você obtém feedback dos seus clientes?

José Octavio: Os feedbacks até esse momento que chegamos com o recbits, um beta aberto, tivemos diferentes períodos de coleta de feedbacks. Antes de abrirmos o beta para o mercado fizemos uma versão alpha para um grupo super restrito de pessoas, super próximas que foram dando feedbacks para nós. Depois que partimos para um beta fechado, o que os americanos chamam de versão "family and friends" onde começamos a abrir o círculo e então era uma coleta de feedbacks dois-a-dois, mas hoje em dia não é mais possível fazer isso. A solução que achamos, além doa caminhos tradicionais de contato, optamos por contratar uma ferramenta de chat que funciona bem pra nós, 24h no site, pois ficamos online no horário de trabalho, prontos para atender qualquer cliente, com várias métricas importantes como quais páginas foram acessadas pela aquela pessoa, assim como a origem de seu acesso e outras informação relevantes para um atendimento assertivo. Quando não estamos online a ferramenta vira um formulário de contato tradicional e por ali que temos coletado os feedbacks atualmente.



5- Como você sabe se o produto está resolvendo as necessidades dos clientes?

José Octavio: Para identificar se a necessidade do cliente está sendo atingida nós procuramos criar mecanismos automatizados que nos indiquem se a jornada do cliente é satisfatória. Através de um tracking como do Google Analytics conseguir identificar qual o ponto de abandono do fluxo ou rejeição nessa jornada, com isso conseguimos ter uma visão automática, sem dependência de um feedback, de como esse comportamento está acontecendo dentro da plataforma. Acreditamos que essa é melhor forma de identificar se essas necessidades estão sendo atingidas. 



6- Qual foi o principal desafio que você enfrentou até hoje na sua startup?

José Octavio: São tantos desafios, mas já passamos por vários, o processo de formatação de uma ideia, botar no papel, criar o mvp e fazer a coisa acontecer apresentam muitos desafios intrínsecos, para nós um dos maiores desafios é fazer a precificação do serviço onde temos que entender, ao mesmo tempo um formato que seja bem recebido pelo mercado, que pague as contas direitinho e que nos permita seguirmos vivos e criar cada vez mais funcionalidades melhorando o serviço. O principal desafio é a sobrevivência e passar pelos altos e baixos que existem no processo, saber que existem momentos que as coisas vão se provar que tem futuro e que também tem aqueles momentos em que você passa um dia que as coisas não vão tem bem como você idealizou. Dificilmente eu acho que exista um principal desafio, mas existem muitos desafios com a mesma intensidade e ao mesmo tempo.



7- Quais são as vantagens de ser um empreendedor no Brasil? E as desvantagens?

José Octavio: Na minha opinião as vantages estão ligadas à oportunidades. Por sermos um país continental existem muitas demandas para diferentes serviços e sermos um mercado em expansão também, existem muitas oportunidades à espera de boas ideias. Sobre as desvantagens eu acho que não existe um incentivo pensado para empresas de tecnologia, pequenas e que precisam crescer de forma exponencial e que hoje estão no mesmo balaio de empresas não compatíveis então uma regulamentação favorável seria muito importante e com impostos favoráveis, apesar de sermos uma empresa bootstrap e, de certa forma, o nosso principal sócio ser o governo ao taxar impostos por todos os lados: insumos, receita, etc...



8- O que você mais gosta na sua rotina diária?

José Octavio: O que é mais bacana no meu dia-a-dia e no meu trabalho, sem dúvida nenhuma, é acordar todos os dias sabendo que meu esforço e suor estão investidos em algo que eu acredito e que eu faço não só porque eu gosto, mas porque eu quero que seja uma solução que ajude as pessoas no futuro.



9- Como você se imagina em 10 anos?

José Octavio: Em 10 anos que gostaria de estar fazendo a mesma coisa que eu faço hoje, mas com mais sucesso e mais projetos realizados e com muitos vídeos no recbits e que a gente consiga nosso plano de expansão de estar em outros países. Que essa plataforma possa efetivamente ajudar empresas e pessoas a gerar conteúdo em vídeo de uma forma simples e que outros projetos e produtos pintem por aí e que a Full Squad siga prosperando.



10- Se você tivesse 1 bilhão de reais para melhorar o Brasil, como você gastaria o dinheiro?

José Octavio: Se eu tivesse esse dinheiro a primeira coisa que eu faria seria investir em educação. Para mim é muito claro que o conhecimento leva ao futuro. Por ser apaixonado por tecnologia e trabalhar com isso, para mim fica evidente que programação deveria ser ensinada para uma criaça desde o momento que um pedagogo indicasse o momento certo. Outro ponto seria fomentar o empreendedorismo no momento inicial da educação de um ser humano traria benefícios absurdos ao estruturar a conquista da solução de um problema que está ao redor desse indivíduo. Então se eu tivesse esse dinheiro, com certeza, investiria em educação para que existisse uma formação melhor e profissionais mais competentes e que pessoas com boas cabeças pudessem resolver os problemas a fim de melhorar esse país.



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Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups

recbits
O time da recbits

Inovação em Mobilidade: Conheca a Mobicity e Leia a Entrevista com o Marcelo Sakai

Olá a todos,

O post de hoje é sobre a Mobicity, startup fundada pelo Marcelo Sakai e na área de mobilidade e também sobre a jornada empreendedora dele. O depoimento do Marcelo está incrível, espero que seja uma inspiração para vocês. Confiram a entrevista e, caso desejem, deixem seus comentários abaixo:

1- Como você descreveria a Mobicity?

Marcelo: A Mobicity é uma organização de empreendedores que tem como objetivo aproximar as pessoas em diferentes âmbitos para tomar decisões mais sustentáveis sobre a maneira de deslocar, gerir e se relacionar quando o assunto é Mobilidade.


2- De onde veio a ideia?

Marcelo: Antes de empreender em Mobilidade, eu dava muita carona na faculdade (FEARP/USP) e em viagens nos finais de semana para ver a família (Ourinhos/São Paulo) sempre que podia. A minha experiência de trabalho na Amcham (Câmara Americana de Comércio) foi uma escola sobre networking, criação de valor no setor B2B e Relações Governamentais – sobre como unir um setor de empresas para levar propostas que possam contribuir em políticas públicas. Com isso, juntei-me com meu primeiro sócio neste negócio, o Jules, que é francês e estava terminando um mestrado sanduíche na USP e o tema era relacionado ao covoiturage (carona, em francês) e apresentou alguns passos que já estava dando para trabalharmos com a Carona para empresas. Assim, nos unimos com empreendedores belgas e iniciamos uma parceria com a tecnologia que possuiam.

Hoje a Mobicity é uma ideia compartilhada por todos da equipe, pois o primeiro passo para trabalhar no negócio é se importar com o que fazemos e os cofundadores se complementam na capacidade de criar valor.

3- O que você mais gosta no setor?

Marcelo: Tem muitos problemas para serem resolvidos em nosso país se compararmos infraestrutura e demanda relacionado à logística e mobilidade. O que é interessante ao trabalhar com empresas é que se você fizer um bom trabalho o mercado tem muita chance de te absorver, pois muitas das empresas têm o mesmo problema.

Outro ponto que nos interessamos é que mundo corporativo é cercado de comportamentos individuais viciosos e dar opções diferentes possibilita não apenas uma quebra de rotina, mas rever o modelo mental sobre como as pessoas se relacionam e se comportam no ambiente de trabalho. Muitas empresas perdem talentos por não serem capazes de servir a heterogeneidade de seu público interno.

Por fim mobilidade é o tema da década, o que acabou sendo um requisito chave também ao recebermos a confiança e o aporte pela LAAS – Latin America Angels Society – primeiro fundo anjo à investir na Mobicity.

4- Como você obtém feedback de seus clientes?

Marcelo: Atualmente são duas formas. Uma direta, através de ações presenciais na empresa ou entrando em contato à distância. A outra é pelas análises de usabilidade dos aplicativos.

5- Como você sabe se o produto está resolvendo as necessidades dos clientes?

Marcelo: Feedback constante e números (KPI’s), mas eu costumo dizer que a recompra é fator decisivo e já entramos nesta fase.

Mas primeiro é preciso entender quem é o cliente, por que no fim todo mundo costuma ser, certo?

Em nosso modelo, a melhor definição que tenho trabalhado é que trabalhamos num modelo B2E (Business to Employee) – um híbrido entre o modelo de negócio B2B e um modelo de desenvolvimento de produto mais alinhado ao B2C ao se tratar da usabilidade.

O trabalho de criação de valor – empresa x colaborador – é muito complexo, então é preciso seguir com paciência nos conceitos de gestão de Startups. Em um ano, por exemplo, visitando o cliente bimestralmente/trimestralmente para acompanhar os resultados precisamos sempre dividir os sprints (períodos curtos e focados) de desenvolvimento da solução alinhando o que a empresa enxerga como benefício de gestão e o que facilita a vida dos colaboradores diariamente em mobilidade.

6- Qual foi o principal desafio que você enfrentou até hoje na sua startup?

Marcelo: Montar a própria equipe e recomeçar uma nova marca, vou me alongar aqui para explicar melhor.

Quando comecei o negócio ao final de 2012 com o Jules (sócio francês) e parceiros belgas, tudo estava lindo (rs). Na abertura do negócio conseguimos dois projetos e um deles foi com uma das empresas mais representativas no mercado brasileiro, o que trouxe também uma responsabilidade muito grande. Menos de um ano depois, os cofundadores da Djengo na Bélgica iniciaram um segundo projeto chamado Djump (semelhante ao Lyft e Uber), e a evolução da solução ficou comprometida em meio estas mudanças, o que era um enorme problema considerando que o DNA de uma startup é baseado em medir, medir e melhorar.

A situação ficou ainda mais complicada quando meu sócio, por questões pessoais e colocando isto de forma muito honesta e razoável, precisou voltar para a França. Nesta época, eu tinha oportunidade de voltar para o mercado corporativo, mas além de atender os clientes que já tínhamos, outros dois novos apareceram. O maior desafio então foi conseguir atender uma série de necessidades destes projetos, trabalhar com uma tecnologia que não estava se adaptando e um país em que o mercado em questão ainda está em amadurecimento.


Após passar o ano de 2014 praticamente cuidando dos gargalos, a decisão mais difícil foi recomeçar então, montando um time de desenvolvimento no Brasil. Eu não fui muito de participar de programas de aceleração, ia direto em mentores chave em que eu acreditava e sugava (aprendia) muito, o Juán Bernabó (Germinadora) foi uma delas, uma pessoa com um espírito e experiência fantástica para este setor. Pedi duas dicas pessoais e dois livros como indicação e me foquei nisto, até hoje! O Rodrigo Palos (CargoBR), um empreendedor exemplar, também é alguém que me ajuda a balizar as decisões de negócio, pelo fato de estar alguns passos à frente.

Por último, coisas como o não apoio do meu pai sobre empreender cedo – por preferir que eu seguisse o caminho tradicional pela segurança da faculdade que cursei somado a experiência na Amcham (Câmara Americana de Comércio), que é uma excelente escola para o mercado corporativo – somado ao tratamento de depressão da minha mãe, tudo isto é um teste pessoal para saber o quão determinado você está fazer algo. Aqui eu preciso agradecer a companhia de amigos como o Gustavo Emerick, Ricardo Agostinho, o apoio dos meus irmãos em diferentes momentos, entre muitos outros, dos quais me servem como suporte, companhia e exemplo nos dias de hoje.


Concluindo, o desafio de recomeçar uma marca nova com um time novo é o mais desgastante quando você é o responsável por motivar as pessoas com recursos limitados, mas quando eu vejo uma equipe – Vitor, Jéssica, Giovanni, Júlio e recentemente, o João - em que eu me sinto o “pior” na sala hoje, isso me dá muito orgulho.

7- Quais são as vantagens de ser um empreendedor no Brasil? E as desvantagens?

Marcelo: Apesar de ter um sócio francês e ter trabalhado com parceiros belgas, eu não tive experiência no exterior, o que dificulta uma opinião mais detalhada.

Não sei se isto é uma vantagem, mas temos tantos problemas para resolver em nosso país que isto acaba sendo uma oportunidade. Um finlandês me disse tempos atrás, “sai de lá porque é tudo muito previsível, tudo dá certo”. Loucura, não?

Ao meu ver, nosso povo – forma de se relacionar - e heterogeneidade são grandes diferenciais. Você pode ter um produto muito bem aceito no Rio de Janeiro e em Florianópolis, mas rejeitado em São Paulo e Curitiba. Temos cidades como Belo Horizonte, Ribeirão Preto, Recife que estão se possuem polos de tecnologia e desenvolvimento com nuances diferentes. Tem muita oportunidade e não é de hoje que a capacidade de gerir em meio à complexidade e incerteza é uma vantagem dos brasileiros.


Eu não sou de ficar reclamando, quando vejo algo que posso mudar de alguma forma eu me envolvo mesmo que rapidamente, do contrário, não invisto tempo no momento. Como desvantagem, vejo a cultura do “parecer” ao invés do “ser” como um ponto crítico para o cenário dos empreendedores. Investidores que não sabem o que é risco, pessoas que criam uma página no facebook e chamam de startup, advogados que pela postura podem separar investidores e empreendedores e aqui eu indico muito a leitura do livro Venture Deals. Mas eu vejo também que estamos caminhando, tem muita gente boa trabalhando na “surdina”.


Eu acredito que quando os empreendedores que construíram algo do zero no Brasil se tornarem investidores – o que já vem acontecendo - nosso ecossistema de empreendedorismo estará mais apto para aproveitar boas ideias e empreendedores que são desperdiçados em nosso País.

8- O que você mais gosta na sua rotina diária?

Marcelo: Em primeiro lugar, o fato de trabalhar em um negócio em que cada conquista é um ganho coletivo – da equipe, dos colaboradores, das empresas e das cidades – mas isso é um privilégio do próprio negócio. Há grandes empresas que precisam individualizar o payoff, estratégia que funciona numa cultura de consumo, o que não é o nosso caso.

Outra coisa que me dá prazer e estamos construindo aos poucos é termos relações mais humanas e de confiança no trabalho, na qual as pessoas podem se ocupar em fazer melhor o que sabem. Como o Steve Jobs disse em uma de suas entrevistas, é preciso escolher pessoas self-management (auto-geridas, ou proativas) para que não seja necessário fazer a micro-gestão. O que é preciso escolher as pessoas certas, alinhar a visão entre todos e deixarem ser artistas.

9- Como você se imagina em 10 anos?

Marcelo: Empreendendo bastante, cada vez mais em negócios sociais, conectando pessoas e soluções.

Quando tinha 15 anos vi a famosa foto de Kevin Carter (que cometeu suicídio, posteriormente) de uma criança no Sudão desnutrida e abandonada, na época chorei uma tarde inteira e jurei pra mim que acabaria com a fome na África, sabe como é quando somos novos, né? Mas acho que algo nisso faz parte do que eu sou. Quando contei isto para meu diretor – Alberto Matias - que fundou a Faculdade de Administração pela USP em Ribeirão preto, ele me disse “Por quê você precisa ir tão longe para resolver problemas que você tem aqui? Você pode começar por aqui”.

Talvez dando aulas também, caso eu seja bom o suficiente.

10- Se você tivesse 1 bilhão de reais para melhorar o Brasil, como você gastaria o dinheiro?

Marcelo: Eu tenho interesse em trabalhar e estudar negócios de acessibilidade à Saúde, Alimentação, Educação e Energia. Trabalhar com Mobilidade hoje ajuda a me conectar com estes temas de formas diferentes.

Quando era mais novo pensava assim, “se eu puder, vou juntar uns R$ 10 milhões no banco, e então vou poder trabalhar de graça ajudando quem eu quiser”. Mas eu aprendi que quem deixa dinheiro no banco assim é porque está se abdicando da responsabilidade de torná-lo um recurso mais sustentável, responsabilidade que é passada aos bancos que empresta de forma insustentável, pelo menos no Brasil, embora de acordo com os conceitos atuais da economia. A parte boa é que felizmente tais conceitos vêm sendo renovados com os novos modelos de microcrédito e crowdfunding.


Por isso, eu investiria praticamente tudo em projetos e pessoas com modelos sustentáveis em  negócios de impacto social, pedindo ajuda, claro, para as pessoas que já estão fazendo isso bem.

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Até a próxima!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups

Equipe da startup Mobicity
A equipe da startup Mobicity