Empreender em Sustentabilidade: Entrevista com o Csaba Sulyok, Fundador do Cosol - Condomínio Solar

O entrevistado de hoje é o Csaba Sulyok, fundador do Cosol - Condomínio Solar. Na entrevista ele explica como funciona o Cosol, os principais desafios que eles vêm enfrentando e a experiência de empreender no Brasil. Confira:

Csaba Sulyok
Csaba Sulyok
De onde veio a ideia do Cosol? Como tudo começou?

Sou formado em Administração Internacional e Economia pela Universidade Oxford Brookes, instituição referência no mundo em temas relacionados a sustentabilidade. Há cinco anos no Brasil, em Salvador, me tornei Mestre em Engenharia Industrial pela Universidade Federal da Bahia, instituição onde atualmente faço doutorado em Energia e Ambiente. Durante todo o meu percurso acadêmico, sempre me interessei pelo tema sustentabilidade. Tive a sorte de chegar no Brasil em um momento favorável para a idealização da Cosol, com a equipe de pesquisa da UFBA muito engajada no assunto e com o governo brasileiro fomentando as discussões acerca da geração remota, regulamentada no final do ano passado. É nesse contexto que surge a Cosol, projeto concebido por mim juntamente a pesquisadores da Universidade Federal da Bahia no ano passado.


Como você descreveria o Cosol?

A Cosol é um novo modelo de produção de energia solar, que permite dobrar a eficiência da produção de energia. A empresa vai funcionar como um condomínio de casas, onde são adquiridos lotes de tamanhos e potencial de geração diferentes, mas no lugar das casas, estarão placas solares. Com capacidade de 5 MW, o condomínio será construído por intermédio do consórcio formado pelos adquirentes – pequenas e médias empresas sediadas em qualquer cidade da Bahia. A energia produzida será disponibilizada para a rede de distribuição da concessionária de energia, no nosso caso a Coelba, gerando créditos que serão descontados na conta de energia dos participantes. Os interessados podem adquirir os lotes para utilização da energia em suas empresas, ou apenas como investimento, alugando o espaço para outras empresas (como um aluguel de casas). Assim, as empresas poderão economizar cerca de 80% do valor da conta de luz investindo em um lote solar, ou de 10% caso apenas alugue o lote. Ou seja, economizará em ambos os casos.

Qual foi o principal desafio que você enfrentou até hoje no Cosol?

Por ser algo pioneiro, as dificuldades têm sido fazer com que as pessoas entendam como funciona a geração remota e, ao mesmo tempo, desmistificar a ideia de que a energia solar é "fraca". Para tanto, temos realizado palestras - todas com casa cheia - onde abordo o tema e respondo a todas as dúvidas da plateia, normalmente composta por empresários, profissionais ligados ao setor e estudantes. Também disponibilizo todos os meus contatos nos nossos canais de comunicação online (site e redes sociais), onde respondo dúvidas e forneço informações pertinentes à difusão do conhecimento sobre a Cosol e temas como geração remota e energia solar. Importante ressaltar que desenvolvemos um novo modelo de produção de energia solar, que permite dobrar a eficiência da produção de energia. É que, além de se apresentar como modelo mais econômico de geração de energia solar entre os já existentes, o novo mecanismo desenvolvido pela Cosol dobra a eficiência da energia solar por três motivos. O primeiro é a localização do empreendimento em Bom Jesus da Lapa, município localizado no Semiárido baiano, com alto índice de insolação. Isso porque a potência do sol é variável a depender da localização geográfica. Se comparada a outras zonas do estado, a região tem uma grande vantagem. No litoral, por exemplo, a nebulosidade bloqueia uma parte da radiação. A diferença chega até 20% e isto determinará o retorno do investimento dos adquirentes. Outro fator que aumenta a eficiência da energia solar no mecanismo criado pela Cosol é o rastreamento solar chamado tracker, que torna as placas móveis e capazes de acompanhar a movimentação do sol. Isso permite que os painéis captem toda a radiação do dia, sem desperdícios, diferentemente dos sistemas instalados nos telhados de casas e prédios, que são estruturas fixas e susceptíveis ao sombreamento de construções mais altas. Na localidade escolhida para a instalação do condomínio solar da Cosol não existe esse risco, por estar em uma vasta zona deserta. Terceiro fator dessa eficiência excepcional resulta da economia pela escala da planta. Uma usina de 5 MW tem um custo por unidade de potencial instalada 30% menor se comparado às instalações pequenas individuais. 




O que mais consome seu tempo hoje em dia no Cosol?
Atualmente tenho me dedicado a apresentar a Cosol em eventos em todo o país, encontros com clientes e investidores para detalhar nosso modelo de negócio, além de gerenciar a empresa. O contato com o público, a transparência em nossos negócios e a procura por soluções inovadoras e ainda mais sustentáveis é algo que priorizamos e a que dedicamos bastante tempo.

Do que você mais gosta no setor? Por que escolheram empreender nesse setor?

O que me inspira nesse setor é a possibilidade de estruturar um negócio lucrativo, que é bom para o consumidor - que compra energia mais barata, para toda a população - que ganha pela geração de postos de trabalho e com uma fonte de energia não poluente, e para o meio ambiente. Assim, decidimos empreender pela grande oportunidade que é, hoje no Nordeste, o setor de energias renováveis, sobretudo a solar e eólica. Depois de analisar o mercado, a nova legislação e a viabilidade do projeto decidimos realizar esta empreitada, que, além da possibilidade de poder oferecer energia de maneira mais limpa e sustentável traz grandes vantagens econômicas para o consumidor.

Qual o desafio de se empreender nesse setor no Brasil?

Os desafios no setor de energias renováveis são grandes. Posso citar a questão de legislação, que ganhou o apoio do governo, cuja nova resolução normativa REN 687/15 passou a valer a partir de 1º de março deste ano. Esse foi um grade avanço, mas o sistema financeiro ainda precisa adequar as linhas de investimentos e financiamentos para este tipo de negócio. Outro ponto para se ter em mente é a aculturação do brasileiro em relação às vantagens das energias renováveis e acabar com a estranheza que alguns setores ainda tem com este tipo de produção energética que é uma realidade cada vez mais presente.

Como você avalia se está tendo bons resultados ou não?

Avaliamos pelo número de empresas e investidores interessados que tem procurado a Cosol e apesar de estar há pouco tempo em operação a Cosol tem tido resultados significativos.

O que será o Cosol em 5 anos? E em 10 anos?

Nosso objetivo é de em cinco anos sermos uma empresa consolidada e expandir nosso mercado para todo o Nordeste e em dez anos, queremos multiplicar nossos projetos em todo o Brasil.

Como você vê o empreendedorismo no Brasil hoje? Que mudanças você prevê para os próximos anos?

Nos últimos três anos o empreendedorismo no Brasil aumentou devido à crise financeira, porém este é um fenômeno mais antigo que tem se apoiado não só pela necessidade dos empreendedores, mas pelas oportunidades que estes veem e que têm aproveitado. Isso é muito positivo e acredito que tende a crescer, pois as gerações mais jovens encaram o empreendedorismo não tanto como uma tábua de salvação, mas como um novo estilo de vida e de trabalho. Para que o ambiente empresarial melhore é essencial a diminuição da burocracia, a simplificação da legislação e que haja incentivos para o empresariado.

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Se você gostou da entrevista, deixe seu comentário abaixo. Para sugerir outros empreendedores para serem entrevistados, entre em contato.

Até breve!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups
about.me/luizasrezende | youtube.com/luizarezende 

Você sabe o que é um "business marketplace"? Conheça a INVOOP e leia a entrevista com o Rafael Moschetti

A entrevista de hoje é com o Rafael Moschetti*, fundador da startup INVOOP.


*Economista de formação com MBA em Engenharia Financeira pela POLI-USP. Tornou-se empreendedor ainda muito jovem, abrindo a própria empresa enquanto ainda estava na faculdade. Antes de fundar a INVOOP, trabalhou com consultoria de M&A para o mercado financeiro e análises de investimento. Atualmente está focado na funcionalidade da plataforma e nos valores de suas ferramentas. Pretende oferecer a melhor solução de mercado para seus usuários, conduzindo a INVOOP à liderança no segmento. É geek e apaixonado por filmes e o pai da Manuella!

Como você descreveria a Invoop?

Uma plataforma para suprir a necessidade que empresários enfrentam quando decidem vender seus negócios. A ferramenta também soluciona a dificuldade que um investidor depara para encontrar um bom negócio de seu interesse. Um business marketplace!

De onde veio a ideia? Como tudo começou?

Surgiu da dificuldade que enfrentamos para vender nosso próprio negócio. As experiências que tivemos foram péssimas. Os serviços de intermediações deixam a desejar e são muito caros, e os classificados online sem critérios e direcionamento específico.

Qual foi o principal desafio que você enfrentou até hoje na Invoop?

Ter coragem e inovar com uma ferramenta rodeada de executivos do mercado financeiro. Encontrar um hiato entre os serviços prestados e a praticidade para os necessitados.

O que mais consome seu tempo hoje em dia na Invoop?

Hoje estamos 100% dedicados em captar anúncios de qualidade e criar uma comunidade que realmente possui a intenção de realizar bons negócios.

Do que você mais gosta no setor?

A tecnologia fala por si. A velocidade e o poder de alcance que a internet oferece são incríveis. Gosto também de poder compartilhar idéias com outros empreendedores e especialistas   do mercado de fusões e aquisições. Conversar sobre melhorias, sugestões, parcerias. A maioria das pessoas possui a mente aberta para novas possibilidades. Isso é bacana!

Qual o desafio de se empreender nesse setor no Brasil?

No atual cenário brasileiro, acredito que o desafio é pra todos, mas falando sobre o nosso setor, cada dia que passa empreendedores e donos de empresas buscam uma solução para seus negócios devido à crise e a nossa demanda aumenta... Porém, por outro lado, captar e conquistar investidores está cada vez mais difícil... São poucas as pessoas que estão com capital, disposição e coragem para investir. 

Como você avalia se está tendo bons resultados ou não?

Desde nossos estudos preliminares sabíamos o tamanho do nosso desafio. Estudamos as empresas semelhantes e conhecemos o tamanho do mercado. Nossa meta é finalizar o ano com uma comunidade de 3 mil anúncios e um múltiplo significante de cadastros e investidores. Em apenas 14 dias de vida já contamos com 101 anúncios e um banco de dados satisfatório! Vamos em frente!

O que será a Invoop em 5 anos? E em 10 anos?

Nosso objetivo é se tornar o maior e melhor portal de compra e venda de empresas do brasil. Um verdadeiro mercado de negócios online. Afinal são 18 milhões de empresas e inúmeros empresários e empreendedores pelo país. Em 10 anos, temos a intenção de ter conquistado alguns países da Europa, América Latina e oferecer serviços bancários, como empréstimos para fluxo de caixa, para aquisição de empresas, através de parcerias com instituições financeiras etc. 

Como você vê o empreendedorismo no Brasil hoje? Que mudanças você prevê para os próximos anos?

Fazendo uma análise política, acredito que a crise promove o empreendedorismo de certa forma.... Cada vez mais pessoas enfrentam dificuldades e acabam optando por não depender dos outros. Ao invés de ficarem esperando por um emprego, estudantes e adolescentes buscam novas alternativas de trabalho. As dificuldades e experiências negativas vivenciadas pelas pessoas na crise despertam novas idéias e a intenção de criar novas soluções. Acho que o empreendedorismo só cresce! Vejo com bons olhos o mercado brasileiro! Devemos fazer a nossa parte também e reivindicar por melhorias por um sistema mais simples com mais incentivos e menos riscos! 

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Até breve!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups

O Caso Apple x FBI e a Necessidade Imediata de Legislação sobre Privacidade Digital

Se você gosta de tecnologia e/ou acompanha canais de mídia internacionais, muito provavelmente já está por dentro do atual caso envolvendo a Apple e o FBI. Tenho lido diversos artigos e debates sobre o tema e senti falta de discussões em língua portuguesa e com foco no aspecto jurídico, o que me motivou a escrever este post e estimular o debate sobre o tema principalmente entre brasileiros. Sinta-se à vontade para comentar.

Fatos:

Recentemente o FBI solicitou que a Apple desbloqueasse o Iphone pertencente ao terrorista que perpetrou o atentado em San Bernardino, nos Estados Unidos, em dezembro de 2015, pois acredita que em posse desses dados detalhados, principalmente as comunicações realizadas antes do ataque, será possível descobrir mais informações sobre grupos e pessoas envolvidos neste e em outros episódios de terrorismo.

"Mas o FBI não pode "hackear" o que quiser para descobrir informações necessárias à segurança dos cidadãos?"

É isso que os filmes mostram, mas na prática não é exatamente assim. Para quem não conhece de perto o avançado sistema de encriptação de informação da Apple, mediante solicitação judicial ela consegue fornecer ao governo informações presentes no iCloud caso o backup automático já tenha acontecido (no caso, o último backup desse telefone foi em outubro e o atentado em dezembro). Caso a informação esteja apenas no telefone, a Apple não consegue ter acesso.

Estado atual do caso:

O governo então solicitou que a Apple desenvolvesse uma "chave mestra" para abrir esse telefone (e outros em caso de solicitação judicial) e, consequentemente, usasse seus engenheiros para "quebrar" as diversas camadas de encriptação desenvolvidas pela empresa ao longo dos anos. A Apple negou, dizendo que isso seria uma grande quebra na privacidade de seus usuários, abrindo precedentes para sucessivas intrusões tanto por parte de governos como de agentes mal intencionados, visando a cometer crimes. Leia aqui o comunicado oficial da Apple.

Análise Jurídica - Princípios a serem ponderados no caso em questão: Privacidade Vs Segurança

Legalmente falando, os valores envolvidos nesse caso são o Direito à Privacidade (o direito de um usuário de telefone de ter suas informações privadas protegidas) e o Direito à Segurança (o direito do Estado de usar os meios disponíveis para proteger a segurança dos cidadãos). Olhando apenas para o presente caso concreto envolvendo o terrorista de San Bernardino, me parece que a balança está bem mais favorável ao Direito à Segurança: o  crime grave foi cometido, o terrorista já está morto, existem fortes suspeitas de que o aparelho de telefone contém informações que serão benéficas as presentes investigações e possivelmente à prevenção de outros atentados. O Direito à privacidade no presente caso é praticamente um postulado teórico, sem peso e que não traria preocupações maiores a um juiz. A questão é a inviabilidade técnica de proporcionar uma solução da forma solicitada (abrir apenas este celular, sem que a mesma solução possa ser aplicada a outros casos) e o precedente que seria aberto.

Hipótese 1: Decidindo em prol da Segurança Pública - A Suprema Corte decide que a Apple deve desenvolver uma "chave-mestra" para desencriptar qualquer telefone caso solicitada por decisão judicial.

Digamos que a Apple desenvolva uma "chave-mestra" que abra os aparelhos de telefone sempre que solicitada por decisão judicial. Princípios constitucionais seriam aplicados e, portanto, fortes suspeitas deveriam estar presentes para que a autorização de rompimento da encriptação fosse concedida.

No entanto, temos que lembrar que se a Apple oferece essa possibilidade ao governo Americano, uma reconhecida democracia e Estado de Direito, ela deveria também oferecer a mesma possiblidade a outros governos, que possivelmente não terão o mesmo nível de garantias constitucionais estabelecidas como os Estados Unidos.

Imagine agora governos do mundo inteiro solicitando à Apple que abra celulares que considere suspeitos (mediante decisão judicial de cada governo - critérios de admissibilidade locais); e a Apple, como não é um poder Supra Estatal, deveria respeitar a autonomia desses governos e acatar as solicitações.

Essa situação que descrevo acima é a consequência natural que a desencriptação para o caso San Bernardino geraria: com este precedente seria difícil a Apple dar um passo para trás e dizer que foi "apenas uma vez", afinal existem inúmeros crimes graves e vítimas em busca de justiça, em que o desbloqueamento de um celular poderia oferecer benefícios às investigações presentes e futuras. Juízes no mundo todo fariam pressão para que "a justiça fosse feita" com a ajuda da Apple para os casos sob seu julgamento.

A segunda consequência é que não apenas a Apple, mas toda e qualquer empresa de tecnologia seria requisitada a fazer o mesmo processo de "engenharia reversa da encriptação" caso houvesse uma solicitação judicial de qualquer governo. 

A terceira consequência é que com a flexibilização do direito à privacidade (e sem maiores alterações legislativas no assunto, como vou discutir mais abaixo), não apenas a esfera criminal estaria envolvida nessas autorizações judiciais, mas possivelmente também a esfera cível. Com o passar do tempo é possível que nossa privacidade vá ficando tão pequena, mas tão pequena que podemos imaginar que o não pagamento de uma conta de luz possa ser motivo autorizador de decisão judicial para a desencriptação de um telefone, por exemplo.

Não podemos esquecer que o celular é apenas um dos objetos que contém nossas informações pessoais e que a cada ano que passa a "Internet das Coisas" avança e mais objetos do nosso dia a dia conseguem, com uma mera conexão à internet, levar nossas informações sensíveis à nuvem, tais como os relógios inteligentes, as casas com automatização, os self-driving cars que logo estarão disponíveis no mercado, entre outros.

Conclusão: a hipótese 1, apesar de dar uma forte sensação de segurança à população e de agradar governos e aplicadores da lei, também abre um perigoso precedente que, com os anos, pode trazer consequências indesejáveis à liberdade dos cidadãos e ao que chamamos de democracia, consequências essas muitas vezes difíceis de serem contidas.

Solução: caso a Apple, após decisão da Suprema Corte, venha a ser obrigada a desenvolver a chamada "chave mestra", os países que quiserem se manter alinhados com modernos princípios constitucionais e garantias a seus cidadãos deveriam correr para debater novos paradigmas que limitem as possibilidades de "invasão de privacidade digital" e estruturem um novo pilar constitucionalmente garantido de direito à privacidade em meios digitais.

Hipótese 2: Decidindo em prol da Privacidade - A Apple não desenvolve a chave mestra.

Na hipótese 2 alguns cenários são possíveis: a) a Suprema Corte decide em favor da Apple; b) O FBI com a ajuda de experts descobre uma nova maneira de obter a mesma informação e não requer mais a desencriptação; c) A Apple desenvolve uma solução apenas para o caso concreto, solução essa que é destruída após o uso (não sei se isso é tecnicamente possível, é apenas uma hipótese). Vamos falar apenas do cenário "a", em que a Suprema Corte decide em favor do Direito à Privacidade.

Nesse caso, as informações pessoais de todos os indivíduos estarão protegidas, mas aqui também temos um problema: com o avanço dos serviços digitais e a transferência de quase todas as nossas informações para a nuvem e utensílios tecnológicos, é possível que mais indivíduos que cometem crimes fiquem impunes, se aproveitando da proteção oferecida aos meios digitais.

A segurança pública, a persecução criminal e o direito às vítimas e famílias das vítimas de terem a investigação criminal finalizada da forma mais eficiente possível são também valores constitucionalmente garantidos e que devem ser preservados na esfera digital. Se no presente caso está evidente que o desbloqueio do celular irá oferecer mais informações à investigação, é imprescindível que as medidas tomadas 

Solução: o não desenvolvimento de uma "chave-mestra" é uma vitória aos defensores absolutos da privacidade, mas o caso não pode parar por aí. É preciso que empresas de tecnologia (e que têm acesso a informações pessoais e sensíveis de seus usuários) estejam prontas para colaborar com a justiça de forma eficiente, ou seja, sem que a consequência seja a redução da privacidade dos demais usuários (como seria no caso do desenvolvimento de uma chave-mestra).

Conclusão: mais uma vez a necessidade de uma legislação sobre Privacidade online se mostra evidente. Além de regulamentar os limites da "invasão de privacidade" por governos, como explicado na conclusão da hipótese 1, é preciso regular também a importância da colaboração das empresas de tecnologia com os governos em casos de investigação criminal, sem que isso signifique o prejuízo da privacidade dos demais usuários.

Certamente empresas que investem milhões em designs funcionais e futuristas não terão problemas em desenvolver chaves de desencriptação individualizadas e que colaborem com investigações criminais sem colocar em risco a privacidade de todos os usuários. Inovação existe para isso também!

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Conclusão: os países precisam pensar a longo prazo e iniciar o quanto antes os debates para uma nova legislação sobre Privacidade Digital.

Este é um caso paradigma para que pensemos como queremos lidar com o tema "privacidade" nos próximos anos. A cada ano que passa novas empresas usando tecnologias cada vez mais avançadas passam a substituir os métodos offline de armazenamento de informação e tudo passa a estar "na nuvem" ou nos utensílios tecnológicos de automatização.

A legislação que deverá ser discutida pelos países nesse tema deverá abordar, principalmente:

a) A proteção do Direito à Privacidade digital dos usuários, delimitando cuidadosamente, as hipóteses e premissas que devem ser observadas em casos de desbloqueamentos ou "invasões" por decisão judicial;

b) A proteção do Direito à Segurança Pública dos cidadãos, exigindo que empresas de tecnologia estejam aptas a colaborar com a justiça sempre que necessário, sem colocar em risco a privacidade e a segurança dos demais usuários / cidadãos.

Em um mundo cada vez mais online, a discussão sobre o direito à Privacidade Digital deve impreterivelmente ser levada a esfera constitucional.

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Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups

privacidade digital, Apple vs FBI

Inovação em Cidadania: Conheça a Colab.re

Olá a todos,

O post de hoje é sobre a colab.re, uma startup que incentiva que as pessoas participem mais na gestão de sua própria cidade. Leia a entrevista com o Bruno Aracaty e conheça mais sobre o backstage dessa startup. Se você se interessou ou gostaria de deixar um comentário abaixo, sinta-se à vontade. Vamos à entrevista:

Como você descreveria a colab.re?
Bruno: Colab.re é uma rede social de cidadania, na qual cidadãos podem publicar problemas das cidades, propor melhorias urbanas, avaliar serviços públicos e participar da tomada de decisão e de utilização de recursos públicos. Do outro lado, a plataforma se conecta a prefeituras, outras entidades de governo, empresas de utilities e prestadores de serviço / concessões públicas oferecendo CRM, gestão de workflow e consultas públicas online. O Colab.re possui mais de 100mil usuários no Brasil e mais de 90 clientes, incluindo prefeituras como Curitiba, Porto Alegre, Santos, Campinas, Niterói, Natal, Pelotas, Brasília e Salvador.

De onde veio a ideia?
Bruno: O Colab.re surgiu por vermos que o cidadão brasileiro naturalmente usa as redes sociais para expor problemas e debater sobre melhorias das cidades brasileiras. Enquanto trabalhávamos no marketing digital de algumas campanhas políticas nas eleições municipais de 2012, vimos que isso acontecia em por todo o país, ao mesmo tempo em que, por estarmos muito próximos a esses prefeitos/candidatos, enxergamos também que grande parte dessa demanda exposta pela população não era estruturada e acabava sem efeitos práticos imediatos por parte da gestão. Por isso, criamos o Colab.re, para servir como uma ponte ligando, de um lado, cidadãos querendo falar e ser ouvidos e, do outro lado, o poder público sem conseguir agir efetivamente. Tudo isso começou em março de 2012, com o que chamamos de “campanha colaborativa”, na qual as propostas de governo seriam baseadas na participação efetiva das pessoas, migrando depois para o conceito atual de gestão colaborativa.

O que você mais gosta no setor?
Bruno: O fato de podermos promover o empoderamento do cidadão no que tange a melhoria da qualidade de vidas das pessoas nas cidades, ao mesmo tempo em que buscamos transformar os governos de dentro para fora, trazendo eficiência e sustentabilidade no uso dos recursos públicos.

Como você obtém feedback de seus clientes?
Bruno: Hoje, temos duas equipes focadas em obter feedback dos usuários e clientes, trabalhando em melhorar o engajamento na plataforma. Uma dessas equipes interage diretamente com os cidadãos e a outra trabalha diretamente com as pessoas de dentro das entidades públicas. Recebemos feedbacks tanto de forma estruturada, em momentos de pesquisa, quanto de forma espontânea, a partir do momento em que a nossa rede se importa com o melhor funcionamento de plataforma.

Como você sabe se o produto está resolvendo as necessidades dos clientes?
Bruno: Quantitativamente, analisando os números de cidadãos na rede, de publicações feitas, além das taxas de resposta/atendimento e solução. Qualitativamente, através dos feedbacks espontâneos e obtidos nas pesquisas.

Qual foi o principal desafio que você enfrentou até hoje na sua startup?
Bruno: O principal desafio foi adaptar as métricas e a lógica das startups para o mundo do empreendedorismo de impacto social positivo. Entendermos que os recursos necessários, o ciclo de venda e a metodologia de desenvolvimento de produto são diferentes e possuem nuances específicas do setor foi um enorme desafio, pois impacta a relação com o time, com investidores e com a própria expectativa dos sócios. Hoje, somos referência mundial no setor e ter superado esse desafio foi um dos principais passos que demos na nossa história.

Quais são as vantagens de ser um empreendedor no Brasil? E as desvantagens?
Bruno: Olhando para o cenário de empreendedorismo no Brasil, a grande vantagem é a quantidade de desafios e problemas que temos para resolver, aliada à criatividade do brasileiro. O maior obstáculo, por sua vez, está na cultura das pessoas. Esse fator cultural influencia tanto os que querem empreender, mas nunca tiveram a educação ou a estrutura comportamental desenvolvida para tal, quanto o ambiente como um todo, que falha em permitir - ou admitir - erros e reconstruções. Além disso, há os obstáculos óbvios e que, invariavelmente, afetam a todos, como: excesso de burocracia, capital caro e de difícil acesso, e escassez de profissionais qualificados.

O que você mais gosta na sua rotina diária?
Bruno: Eu não possuo algo que posso chamar de “rotina diária”. Mas, alguns dias, quando não estou viajando, vou a pé de casa para o escritório ouvindo música ou ouvindo podcasts. É um momento que limpo minha mente e me preparo para o que preciso fazer durante o dia.

Como você se imagina em 10 anos?
Bruno: Em 10 anos, gostaria de estar multiplicando tudo o que aprendi e ajudando outros empreendedores a ter sucesso causando impacto positivo no mundo.

Se você tivesse 1 bilhão de reais para melhorar o Brasil, como você gastaria o dinheiro?
Bruno: Eu financiaria a contratação do Colab.re para todos os governos e prefeituras do país.

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Até a próxima!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups

Foto por Lais Papaleo