Você sabe o que é um "business marketplace"? Conheça a INVOOP e leia a entrevista com o Rafael Moschetti

A entrevista de hoje é com o Rafael Moschetti*, fundador da startup INVOOP.


*Economista de formação com MBA em Engenharia Financeira pela POLI-USP. Tornou-se empreendedor ainda muito jovem, abrindo a própria empresa enquanto ainda estava na faculdade. Antes de fundar a INVOOP, trabalhou com consultoria de M&A para o mercado financeiro e análises de investimento. Atualmente está focado na funcionalidade da plataforma e nos valores de suas ferramentas. Pretende oferecer a melhor solução de mercado para seus usuários, conduzindo a INVOOP à liderança no segmento. É geek e apaixonado por filmes e o pai da Manuella!

Como você descreveria a Invoop?

Uma plataforma para suprir a necessidade que empresários enfrentam quando decidem vender seus negócios. A ferramenta também soluciona a dificuldade que um investidor depara para encontrar um bom negócio de seu interesse. Um business marketplace!

De onde veio a ideia? Como tudo começou?

Surgiu da dificuldade que enfrentamos para vender nosso próprio negócio. As experiências que tivemos foram péssimas. Os serviços de intermediações deixam a desejar e são muito caros, e os classificados online sem critérios e direcionamento específico.

Qual foi o principal desafio que você enfrentou até hoje na Invoop?

Ter coragem e inovar com uma ferramenta rodeada de executivos do mercado financeiro. Encontrar um hiato entre os serviços prestados e a praticidade para os necessitados.

O que mais consome seu tempo hoje em dia na Invoop?

Hoje estamos 100% dedicados em captar anúncios de qualidade e criar uma comunidade que realmente possui a intenção de realizar bons negócios.

Do que você mais gosta no setor?

A tecnologia fala por si. A velocidade e o poder de alcance que a internet oferece são incríveis. Gosto também de poder compartilhar idéias com outros empreendedores e especialistas   do mercado de fusões e aquisições. Conversar sobre melhorias, sugestões, parcerias. A maioria das pessoas possui a mente aberta para novas possibilidades. Isso é bacana!

Qual o desafio de se empreender nesse setor no Brasil?

No atual cenário brasileiro, acredito que o desafio é pra todos, mas falando sobre o nosso setor, cada dia que passa empreendedores e donos de empresas buscam uma solução para seus negócios devido à crise e a nossa demanda aumenta... Porém, por outro lado, captar e conquistar investidores está cada vez mais difícil... São poucas as pessoas que estão com capital, disposição e coragem para investir. 

Como você avalia se está tendo bons resultados ou não?

Desde nossos estudos preliminares sabíamos o tamanho do nosso desafio. Estudamos as empresas semelhantes e conhecemos o tamanho do mercado. Nossa meta é finalizar o ano com uma comunidade de 3 mil anúncios e um múltiplo significante de cadastros e investidores. Em apenas 14 dias de vida já contamos com 101 anúncios e um banco de dados satisfatório! Vamos em frente!

O que será a Invoop em 5 anos? E em 10 anos?

Nosso objetivo é se tornar o maior e melhor portal de compra e venda de empresas do brasil. Um verdadeiro mercado de negócios online. Afinal são 18 milhões de empresas e inúmeros empresários e empreendedores pelo país. Em 10 anos, temos a intenção de ter conquistado alguns países da Europa, América Latina e oferecer serviços bancários, como empréstimos para fluxo de caixa, para aquisição de empresas, através de parcerias com instituições financeiras etc. 

Como você vê o empreendedorismo no Brasil hoje? Que mudanças você prevê para os próximos anos?

Fazendo uma análise política, acredito que a crise promove o empreendedorismo de certa forma.... Cada vez mais pessoas enfrentam dificuldades e acabam optando por não depender dos outros. Ao invés de ficarem esperando por um emprego, estudantes e adolescentes buscam novas alternativas de trabalho. As dificuldades e experiências negativas vivenciadas pelas pessoas na crise despertam novas idéias e a intenção de criar novas soluções. Acho que o empreendedorismo só cresce! Vejo com bons olhos o mercado brasileiro! Devemos fazer a nossa parte também e reivindicar por melhorias por um sistema mais simples com mais incentivos e menos riscos! 

***

Se você gostou da entrevista, deixe seu comentário abaixo. Para sugerir outros empreendedores para serem entrevistados, entre em contato.

Até breve!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups

O Caso Apple x FBI e a Necessidade Imediata de Legislação sobre Privacidade Digital

Se você gosta de tecnologia e/ou acompanha canais de mídia internacionais, muito provavelmente já está por dentro do atual caso envolvendo a Apple e o FBI. Tenho lido diversos artigos e debates sobre o tema e senti falta de discussões em língua portuguesa e com foco no aspecto jurídico, o que me motivou a escrever este post e estimular o debate sobre o tema principalmente entre brasileiros. Sinta-se à vontade para comentar.

Fatos:

Recentemente o FBI solicitou que a Apple desbloqueasse o Iphone pertencente ao terrorista que perpetrou o atentado em San Bernardino, nos Estados Unidos, em dezembro de 2015, pois acredita que em posse desses dados detalhados, principalmente as comunicações realizadas antes do ataque, será possível descobrir mais informações sobre grupos e pessoas envolvidos neste e em outros episódios de terrorismo.

"Mas o FBI não pode "hackear" o que quiser para descobrir informações necessárias à segurança dos cidadãos?"

É isso que os filmes mostram, mas na prática não é exatamente assim. Para quem não conhece de perto o avançado sistema de encriptação de informação da Apple, mediante solicitação judicial ela consegue fornecer ao governo informações presentes no iCloud caso o backup automático já tenha acontecido (no caso, o último backup desse telefone foi em outubro e o atentado em dezembro). Caso a informação esteja apenas no telefone, a Apple não consegue ter acesso.

Estado atual do caso:

O governo então solicitou que a Apple desenvolvesse uma "chave mestra" para abrir esse telefone (e outros em caso de solicitação judicial) e, consequentemente, usasse seus engenheiros para "quebrar" as diversas camadas de encriptação desenvolvidas pela empresa ao longo dos anos. A Apple negou, dizendo que isso seria uma grande quebra na privacidade de seus usuários, abrindo precedentes para sucessivas intrusões tanto por parte de governos como de agentes mal intencionados, visando a cometer crimes. Leia aqui o comunicado oficial da Apple.

Análise Jurídica - Princípios a serem ponderados no caso em questão: Privacidade Vs Segurança

Legalmente falando, os valores envolvidos nesse caso são o Direito à Privacidade (o direito de um usuário de telefone de ter suas informações privadas protegidas) e o Direito à Segurança (o direito do Estado de usar os meios disponíveis para proteger a segurança dos cidadãos). Olhando apenas para o presente caso concreto envolvendo o terrorista de San Bernardino, me parece que a balança está bem mais favorável ao Direito à Segurança: o  crime grave foi cometido, o terrorista já está morto, existem fortes suspeitas de que o aparelho de telefone contém informações que serão benéficas as presentes investigações e possivelmente à prevenção de outros atentados. O Direito à privacidade no presente caso é praticamente um postulado teórico, sem peso e que não traria preocupações maiores a um juiz. A questão é a inviabilidade técnica de proporcionar uma solução da forma solicitada (abrir apenas este celular, sem que a mesma solução possa ser aplicada a outros casos) e o precedente que seria aberto.

Hipótese 1: Decidindo em prol da Segurança Pública - A Suprema Corte decide que a Apple deve desenvolver uma "chave-mestra" para desencriptar qualquer telefone caso solicitada por decisão judicial.

Digamos que a Apple desenvolva uma "chave-mestra" que abra os aparelhos de telefone sempre que solicitada por decisão judicial. Princípios constitucionais seriam aplicados e, portanto, fortes suspeitas deveriam estar presentes para que a autorização de rompimento da encriptação fosse concedida.

No entanto, temos que lembrar que se a Apple oferece essa possibilidade ao governo Americano, uma reconhecida democracia e Estado de Direito, ela deveria também oferecer a mesma possiblidade a outros governos, que possivelmente não terão o mesmo nível de garantias constitucionais estabelecidas como os Estados Unidos.

Imagine agora governos do mundo inteiro solicitando à Apple que abra celulares que considere suspeitos (mediante decisão judicial de cada governo - critérios de admissibilidade locais); e a Apple, como não é um poder Supra Estatal, deveria respeitar a autonomia desses governos e acatar as solicitações.

Essa situação que descrevo acima é a consequência natural que a desencriptação para o caso San Bernardino geraria: com este precedente seria difícil a Apple dar um passo para trás e dizer que foi "apenas uma vez", afinal existem inúmeros crimes graves e vítimas em busca de justiça, em que o desbloqueamento de um celular poderia oferecer benefícios às investigações presentes e futuras. Juízes no mundo todo fariam pressão para que "a justiça fosse feita" com a ajuda da Apple para os casos sob seu julgamento.

A segunda consequência é que não apenas a Apple, mas toda e qualquer empresa de tecnologia seria requisitada a fazer o mesmo processo de "engenharia reversa da encriptação" caso houvesse uma solicitação judicial de qualquer governo. 

A terceira consequência é que com a flexibilização do direito à privacidade (e sem maiores alterações legislativas no assunto, como vou discutir mais abaixo), não apenas a esfera criminal estaria envolvida nessas autorizações judiciais, mas possivelmente também a esfera cível. Com o passar do tempo é possível que nossa privacidade vá ficando tão pequena, mas tão pequena que podemos imaginar que o não pagamento de uma conta de luz possa ser motivo autorizador de decisão judicial para a desencriptação de um telefone, por exemplo.

Não podemos esquecer que o celular é apenas um dos objetos que contém nossas informações pessoais e que a cada ano que passa a "Internet das Coisas" avança e mais objetos do nosso dia a dia conseguem, com uma mera conexão à internet, levar nossas informações sensíveis à nuvem, tais como os relógios inteligentes, as casas com automatização, os self-driving cars que logo estarão disponíveis no mercado, entre outros.

Conclusão: a hipótese 1, apesar de dar uma forte sensação de segurança à população e de agradar governos e aplicadores da lei, também abre um perigoso precedente que, com os anos, pode trazer consequências indesejáveis à liberdade dos cidadãos e ao que chamamos de democracia, consequências essas muitas vezes difíceis de serem contidas.

Solução: caso a Apple, após decisão da Suprema Corte, venha a ser obrigada a desenvolver a chamada "chave mestra", os países que quiserem se manter alinhados com modernos princípios constitucionais e garantias a seus cidadãos deveriam correr para debater novos paradigmas que limitem as possibilidades de "invasão de privacidade digital" e estruturem um novo pilar constitucionalmente garantido de direito à privacidade em meios digitais.

Hipótese 2: Decidindo em prol da Privacidade - A Apple não desenvolve a chave mestra.

Na hipótese 2 alguns cenários são possíveis: a) a Suprema Corte decide em favor da Apple; b) O FBI com a ajuda de experts descobre uma nova maneira de obter a mesma informação e não requer mais a desencriptação; c) A Apple desenvolve uma solução apenas para o caso concreto, solução essa que é destruída após o uso (não sei se isso é tecnicamente possível, é apenas uma hipótese). Vamos falar apenas do cenário "a", em que a Suprema Corte decide em favor do Direito à Privacidade.

Nesse caso, as informações pessoais de todos os indivíduos estarão protegidas, mas aqui também temos um problema: com o avanço dos serviços digitais e a transferência de quase todas as nossas informações para a nuvem e utensílios tecnológicos, é possível que mais indivíduos que cometem crimes fiquem impunes, se aproveitando da proteção oferecida aos meios digitais.

A segurança pública, a persecução criminal e o direito às vítimas e famílias das vítimas de terem a investigação criminal finalizada da forma mais eficiente possível são também valores constitucionalmente garantidos e que devem ser preservados na esfera digital. Se no presente caso está evidente que o desbloqueio do celular irá oferecer mais informações à investigação, é imprescindível que as medidas tomadas 

Solução: o não desenvolvimento de uma "chave-mestra" é uma vitória aos defensores absolutos da privacidade, mas o caso não pode parar por aí. É preciso que empresas de tecnologia (e que têm acesso a informações pessoais e sensíveis de seus usuários) estejam prontas para colaborar com a justiça de forma eficiente, ou seja, sem que a consequência seja a redução da privacidade dos demais usuários (como seria no caso do desenvolvimento de uma chave-mestra).

Conclusão: mais uma vez a necessidade de uma legislação sobre Privacidade online se mostra evidente. Além de regulamentar os limites da "invasão de privacidade" por governos, como explicado na conclusão da hipótese 1, é preciso regular também a importância da colaboração das empresas de tecnologia com os governos em casos de investigação criminal, sem que isso signifique o prejuízo da privacidade dos demais usuários.

Certamente empresas que investem milhões em designs funcionais e futuristas não terão problemas em desenvolver chaves de desencriptação individualizadas e que colaborem com investigações criminais sem colocar em risco a privacidade de todos os usuários. Inovação existe para isso também!

***

Conclusão: os países precisam pensar a longo prazo e iniciar o quanto antes os debates para uma nova legislação sobre Privacidade Digital.

Este é um caso paradigma para que pensemos como queremos lidar com o tema "privacidade" nos próximos anos. A cada ano que passa novas empresas usando tecnologias cada vez mais avançadas passam a substituir os métodos offline de armazenamento de informação e tudo passa a estar "na nuvem" ou nos utensílios tecnológicos de automatização.

A legislação que deverá ser discutida pelos países nesse tema deverá abordar, principalmente:

a) A proteção do Direito à Privacidade digital dos usuários, delimitando cuidadosamente, as hipóteses e premissas que devem ser observadas em casos de desbloqueamentos ou "invasões" por decisão judicial;

b) A proteção do Direito à Segurança Pública dos cidadãos, exigindo que empresas de tecnologia estejam aptas a colaborar com a justiça sempre que necessário, sem colocar em risco a privacidade e a segurança dos demais usuários / cidadãos.

Em um mundo cada vez mais online, a discussão sobre o direito à Privacidade Digital deve impreterivelmente ser levada a esfera constitucional.

***

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups

privacidade digital, Apple vs FBI

Inovação em Cidadania: Conheça a Colab.re

Olá a todos,

O post de hoje é sobre a colab.re, uma startup que incentiva que as pessoas participem mais na gestão de sua própria cidade. Leia a entrevista com o Bruno Aracaty e conheça mais sobre o backstage dessa startup. Se você se interessou ou gostaria de deixar um comentário abaixo, sinta-se à vontade. Vamos à entrevista:

Como você descreveria a colab.re?
Bruno: Colab.re é uma rede social de cidadania, na qual cidadãos podem publicar problemas das cidades, propor melhorias urbanas, avaliar serviços públicos e participar da tomada de decisão e de utilização de recursos públicos. Do outro lado, a plataforma se conecta a prefeituras, outras entidades de governo, empresas de utilities e prestadores de serviço / concessões públicas oferecendo CRM, gestão de workflow e consultas públicas online. O Colab.re possui mais de 100mil usuários no Brasil e mais de 90 clientes, incluindo prefeituras como Curitiba, Porto Alegre, Santos, Campinas, Niterói, Natal, Pelotas, Brasília e Salvador.

De onde veio a ideia?
Bruno: O Colab.re surgiu por vermos que o cidadão brasileiro naturalmente usa as redes sociais para expor problemas e debater sobre melhorias das cidades brasileiras. Enquanto trabalhávamos no marketing digital de algumas campanhas políticas nas eleições municipais de 2012, vimos que isso acontecia em por todo o país, ao mesmo tempo em que, por estarmos muito próximos a esses prefeitos/candidatos, enxergamos também que grande parte dessa demanda exposta pela população não era estruturada e acabava sem efeitos práticos imediatos por parte da gestão. Por isso, criamos o Colab.re, para servir como uma ponte ligando, de um lado, cidadãos querendo falar e ser ouvidos e, do outro lado, o poder público sem conseguir agir efetivamente. Tudo isso começou em março de 2012, com o que chamamos de “campanha colaborativa”, na qual as propostas de governo seriam baseadas na participação efetiva das pessoas, migrando depois para o conceito atual de gestão colaborativa.

O que você mais gosta no setor?
Bruno: O fato de podermos promover o empoderamento do cidadão no que tange a melhoria da qualidade de vidas das pessoas nas cidades, ao mesmo tempo em que buscamos transformar os governos de dentro para fora, trazendo eficiência e sustentabilidade no uso dos recursos públicos.

Como você obtém feedback de seus clientes?
Bruno: Hoje, temos duas equipes focadas em obter feedback dos usuários e clientes, trabalhando em melhorar o engajamento na plataforma. Uma dessas equipes interage diretamente com os cidadãos e a outra trabalha diretamente com as pessoas de dentro das entidades públicas. Recebemos feedbacks tanto de forma estruturada, em momentos de pesquisa, quanto de forma espontânea, a partir do momento em que a nossa rede se importa com o melhor funcionamento de plataforma.

Como você sabe se o produto está resolvendo as necessidades dos clientes?
Bruno: Quantitativamente, analisando os números de cidadãos na rede, de publicações feitas, além das taxas de resposta/atendimento e solução. Qualitativamente, através dos feedbacks espontâneos e obtidos nas pesquisas.

Qual foi o principal desafio que você enfrentou até hoje na sua startup?
Bruno: O principal desafio foi adaptar as métricas e a lógica das startups para o mundo do empreendedorismo de impacto social positivo. Entendermos que os recursos necessários, o ciclo de venda e a metodologia de desenvolvimento de produto são diferentes e possuem nuances específicas do setor foi um enorme desafio, pois impacta a relação com o time, com investidores e com a própria expectativa dos sócios. Hoje, somos referência mundial no setor e ter superado esse desafio foi um dos principais passos que demos na nossa história.

Quais são as vantagens de ser um empreendedor no Brasil? E as desvantagens?
Bruno: Olhando para o cenário de empreendedorismo no Brasil, a grande vantagem é a quantidade de desafios e problemas que temos para resolver, aliada à criatividade do brasileiro. O maior obstáculo, por sua vez, está na cultura das pessoas. Esse fator cultural influencia tanto os que querem empreender, mas nunca tiveram a educação ou a estrutura comportamental desenvolvida para tal, quanto o ambiente como um todo, que falha em permitir - ou admitir - erros e reconstruções. Além disso, há os obstáculos óbvios e que, invariavelmente, afetam a todos, como: excesso de burocracia, capital caro e de difícil acesso, e escassez de profissionais qualificados.

O que você mais gosta na sua rotina diária?
Bruno: Eu não possuo algo que posso chamar de “rotina diária”. Mas, alguns dias, quando não estou viajando, vou a pé de casa para o escritório ouvindo música ou ouvindo podcasts. É um momento que limpo minha mente e me preparo para o que preciso fazer durante o dia.

Como você se imagina em 10 anos?
Bruno: Em 10 anos, gostaria de estar multiplicando tudo o que aprendi e ajudando outros empreendedores a ter sucesso causando impacto positivo no mundo.

Se você tivesse 1 bilhão de reais para melhorar o Brasil, como você gastaria o dinheiro?
Bruno: Eu financiaria a contratação do Colab.re para todos os governos e prefeituras do país.

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Até a próxima!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups

Foto por Lais Papaleo

Inovação e Interatividade em Mobilidade: Conheça a Tripda


Olá a todos, como estão?

A entrevista de hoje é com o Eduarto Prota, Global Co-Founder na Tripda. Hoje vocês irão conhecer um pouco mais dessa startup super interessante que está inovando em mobilidade. Se você ainda não ouviu falar da Tripda, essa é uma ótima oportunidade para saber como funciona e também entender o "backstage" e os desafios que os empreendedores enfrentaram e enfrentam até chegar onde estão. Confira a entrevista abaixo:

Como você descreveria a Tripda?
Eduardo: A Tripda é uma plataforma de transportes colaborativos que conecta motoristas e passageiros fazendo a mesma rota. Pela Tripda, motoristas podem dividir seus custos de viagem e passageiros viajam de forma mais econômica (custo inferior a viajar de ônibus e avião), conveniente (passageiro pode buscar viagens saindo do ponto mais próximo À sua casa ou trabalho), confortável e divertida. Passageiros e condutores podem estabelecer preferências de viagens, trocar mensagens e filtrar parceiros que fazem rotas similares.

De onde veio a ideia?
Eduardo: Da experiência de estudar em uma cidade e morar ou trabalhar em outra. Eu e meu sócio, Pedro Meduna, estudamos ou trabalhamos em São Paulo e saíamos da metrópole para visitar familiares no interior do estado (Ribeirão Preto e Campinas). Com isso gastávamos uma alta quantia de dinheiro para pagar combustível e pedágios ou tinham que recorrer aos ônibus. Percebemos que boa parte dos carros na estrada transportava apenas uma ou duas pessoas, criando um sentimento de que com mais pessoas compartilhando, teríamos pelo menos metade dos veículos circulando. Gostamos da ideia de melhorar a experiência de viagem e decidimos seguir em frente com o plano de transformar caronas em uma alternativa viável de transporte.

O que você mais gosta no setor?
Eduardo: Estamos no setor de transportes, criando soluções através de ferramentas da economia colaborativa. O setor de transportes... Sharing economy... os dois juntos...

Como você obtém feedback de seus clientes?
Eduardo: 3 formas: “orgânica”, qualitativa e quantitativa.
- Orgânica: Temos um time local em cada país que atuamos. Estas pessoas estão em contato constante com nossos usuários em ações em faculdades, eventos, etc. Os feedbacks ouvidos são compartilhados com os times de MKT e Produtos através de ferramentas como JIRA e calls semanais. Estes feedbacks são então analisados e implementados quando procedentes.

- Qualitativa: De tempos em tempos fazemos pesquisas de campo buscando entender os principais problemas que nossos usuários enfrentam ao usar nossa plataforma. Em geral estas pesquisas são feitas por pessoas do time de Produtos, que reserva caronas e viaja com usuários para capturar a percepção do cliente durante o uso do serviço.

Além disso, todos os funcionários são estimulados a usar o serviço e compartilhar a experiência com os demais em reuniões mensais ou email.

Fazemos ainda o que chamamos de “ligações de retenção”, em que ligamos para usuários que usavam nossa plataforma mas, por algum motivo, deixaram de fazê-lo.

- Quantitativa: Usamos a metodologia NPS para acompanhar de forma mais quantitativa a evolução da satisfação com o uso da nossa plataforma. Aplicamos o formulário tanto quando usuários acessam nosso site quanto através de email. Damos especial atenção para os usuários que dizem não estar satisfeitos com a plataforma e nos explicam por que. Diversas vezes contatamos esses usuários e discutimos oportunidades de melhoria.

Usamos bastante também os feedbacks disponibilizados nas App stores.

Além disso, acompanhamos de perto os “feedbacks não expressos” que os usuários dão ao usar ou deixar de usar features específicas de produto.
 
Como você sabe se o produto está resolvendo as necessidades dos clientes?
Eduardo: Esta não é uma pergunta de fácil resposta. Muitos dizem que “quando você encontrar Product/Market fit, saberá”. Primeiro é preciso saber exatamente qual a necessidade que você quer resolver e de qual cliente. Por algum tempo erramos por querem resolver muitos problemas de todos os nossos usuários.

Dado que hoje temos um target e um problema claros, procuramos avaliar se estamos evoluindo na solução para o cliente através de:

- NPS do público alvo: A evolução no NPS é um indicador de Product/Market fit.

- Melhoria de indicadores: Por exemplo, um indicador importante que temos é o percentual de viagens reservadas dentre aquelas ofertadas. A evolução deste indicador mostra que ambos lados da plataforma estão ficando satisfeitos.

- Melhoria dos indicadores do “Engine of Growth”:  A melhoria dos indicadores típicos do “Engine of Growth” utilizado evidencia a melhoria do Product/Market fit. No nosso caso, consideramos a redução do CAC (custo de aquisição de clientes) e melhoria da relação novo usuário/churn.

Qual foi o principal desafio que você enfrentou até hoje na sua startup?
Eduardo: Nosso maior desafio foi com certeza montar um time que foi de 10 pessoas para mais de cem em 3-4 meses. Na realidade, o maior desafio não foi montar o time, mas mantê-lo coeso e motivado enquanto a empresa ainda está em estágio inicial, sem processos formais, canais de comunicação estruturados, papéis estabelecidos, etc. Esta dificuldade foi ainda maior na Tripda pois neste mesmo período de 3-4 meses pulamos de 1 para 13 países em LATAM, US e Asia, com times locais na maioria deles.

Quais são as vantagens de ser um empreendedor no Brasil? E as desvantagens?
Eduardo: Vou utilizar os Estados Unidos como base de comparação para avaliar vantagens e desvantagens. Não temos um ecossistema empreendedor envolvendo, universidades, investidores, mentores e startups. Isso reduz a probabilidade de cada Startup de obter sucesso. Destaco a falta de investidores brasileiros dispostos a investir tickets maiores em ventures locais, há diversos VCs e Angels para seed Money e round A, mas poucos para Round B. A burocracia brasileira, principalmente relacionada à contratação, é outra grande desvantagem. O ambiente de trabalho em Startups é mais flexível mas a CLT engessa as possibilidades de implementar modelos que favoreceriam tanto ao empregador quanto ao empregado.

A vantagem de empreender no Brasil é que o mercado ainda está se construindo. Existem muitas oportunidades para Startups e os consumidores/usuários ainda não estão saturados por novidades como os Americanos.

O que você mais gosta na sua rotina diária?
Eduardo: Observar como cada colaborador chega ao trabalho. Sei que estou fazendo meu trabalho quando vejo a energia do pessoal ao vir pro trabalho e procuro resolver rapidamente as situações em que alguém não parece bem.

Como você se imagina em 10 anos?
Eduardo: Andando de carona para qualquer lugar do mundo.

Se você tivesse 1 bilhão de reais para melhorar o Brasil, como você gastaria o dinheiro?
Eduardo: Investindo na aproximação entre Universidades e Startups, minerando boas ideias dentro de universidades que não veem a luz em função da burocracia da estrutura atual e levando para as Universidades o conhecimento prático do empreendedorismo.



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Se você também gostaria de ser entrevistado(a), escreva-me contando um pouco sobre a sua startup.

Até a próxima!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups