Inovação e Interatividade em Mobilidade: Conheça a Tripda


Olá a todos, como estão?

A entrevista de hoje é com o Eduarto Prota, Global Co-Founder na Tripda. Hoje vocês irão conhecer um pouco mais dessa startup super interessante que está inovando em mobilidade. Se você ainda não ouviu falar da Tripda, essa é uma ótima oportunidade para saber como funciona e também entender o "backstage" e os desafios que os empreendedores enfrentaram e enfrentam até chegar onde estão. Confira a entrevista abaixo:

Como você descreveria a Tripda?
Eduardo: A Tripda é uma plataforma de transportes colaborativos que conecta motoristas e passageiros fazendo a mesma rota. Pela Tripda, motoristas podem dividir seus custos de viagem e passageiros viajam de forma mais econômica (custo inferior a viajar de ônibus e avião), conveniente (passageiro pode buscar viagens saindo do ponto mais próximo À sua casa ou trabalho), confortável e divertida. Passageiros e condutores podem estabelecer preferências de viagens, trocar mensagens e filtrar parceiros que fazem rotas similares.

De onde veio a ideia?
Eduardo: Da experiência de estudar em uma cidade e morar ou trabalhar em outra. Eu e meu sócio, Pedro Meduna, estudamos ou trabalhamos em São Paulo e saíamos da metrópole para visitar familiares no interior do estado (Ribeirão Preto e Campinas). Com isso gastávamos uma alta quantia de dinheiro para pagar combustível e pedágios ou tinham que recorrer aos ônibus. Percebemos que boa parte dos carros na estrada transportava apenas uma ou duas pessoas, criando um sentimento de que com mais pessoas compartilhando, teríamos pelo menos metade dos veículos circulando. Gostamos da ideia de melhorar a experiência de viagem e decidimos seguir em frente com o plano de transformar caronas em uma alternativa viável de transporte.

O que você mais gosta no setor?
Eduardo: Estamos no setor de transportes, criando soluções através de ferramentas da economia colaborativa. O setor de transportes... Sharing economy... os dois juntos...

Como você obtém feedback de seus clientes?
Eduardo: 3 formas: “orgânica”, qualitativa e quantitativa.
- Orgânica: Temos um time local em cada país que atuamos. Estas pessoas estão em contato constante com nossos usuários em ações em faculdades, eventos, etc. Os feedbacks ouvidos são compartilhados com os times de MKT e Produtos através de ferramentas como JIRA e calls semanais. Estes feedbacks são então analisados e implementados quando procedentes.

- Qualitativa: De tempos em tempos fazemos pesquisas de campo buscando entender os principais problemas que nossos usuários enfrentam ao usar nossa plataforma. Em geral estas pesquisas são feitas por pessoas do time de Produtos, que reserva caronas e viaja com usuários para capturar a percepção do cliente durante o uso do serviço.

Além disso, todos os funcionários são estimulados a usar o serviço e compartilhar a experiência com os demais em reuniões mensais ou email.

Fazemos ainda o que chamamos de “ligações de retenção”, em que ligamos para usuários que usavam nossa plataforma mas, por algum motivo, deixaram de fazê-lo.

- Quantitativa: Usamos a metodologia NPS para acompanhar de forma mais quantitativa a evolução da satisfação com o uso da nossa plataforma. Aplicamos o formulário tanto quando usuários acessam nosso site quanto através de email. Damos especial atenção para os usuários que dizem não estar satisfeitos com a plataforma e nos explicam por que. Diversas vezes contatamos esses usuários e discutimos oportunidades de melhoria.

Usamos bastante também os feedbacks disponibilizados nas App stores.

Além disso, acompanhamos de perto os “feedbacks não expressos” que os usuários dão ao usar ou deixar de usar features específicas de produto.
 
Como você sabe se o produto está resolvendo as necessidades dos clientes?
Eduardo: Esta não é uma pergunta de fácil resposta. Muitos dizem que “quando você encontrar Product/Market fit, saberá”. Primeiro é preciso saber exatamente qual a necessidade que você quer resolver e de qual cliente. Por algum tempo erramos por querem resolver muitos problemas de todos os nossos usuários.

Dado que hoje temos um target e um problema claros, procuramos avaliar se estamos evoluindo na solução para o cliente através de:

- NPS do público alvo: A evolução no NPS é um indicador de Product/Market fit.

- Melhoria de indicadores: Por exemplo, um indicador importante que temos é o percentual de viagens reservadas dentre aquelas ofertadas. A evolução deste indicador mostra que ambos lados da plataforma estão ficando satisfeitos.

- Melhoria dos indicadores do “Engine of Growth”:  A melhoria dos indicadores típicos do “Engine of Growth” utilizado evidencia a melhoria do Product/Market fit. No nosso caso, consideramos a redução do CAC (custo de aquisição de clientes) e melhoria da relação novo usuário/churn.

Qual foi o principal desafio que você enfrentou até hoje na sua startup?
Eduardo: Nosso maior desafio foi com certeza montar um time que foi de 10 pessoas para mais de cem em 3-4 meses. Na realidade, o maior desafio não foi montar o time, mas mantê-lo coeso e motivado enquanto a empresa ainda está em estágio inicial, sem processos formais, canais de comunicação estruturados, papéis estabelecidos, etc. Esta dificuldade foi ainda maior na Tripda pois neste mesmo período de 3-4 meses pulamos de 1 para 13 países em LATAM, US e Asia, com times locais na maioria deles.

Quais são as vantagens de ser um empreendedor no Brasil? E as desvantagens?
Eduardo: Vou utilizar os Estados Unidos como base de comparação para avaliar vantagens e desvantagens. Não temos um ecossistema empreendedor envolvendo, universidades, investidores, mentores e startups. Isso reduz a probabilidade de cada Startup de obter sucesso. Destaco a falta de investidores brasileiros dispostos a investir tickets maiores em ventures locais, há diversos VCs e Angels para seed Money e round A, mas poucos para Round B. A burocracia brasileira, principalmente relacionada à contratação, é outra grande desvantagem. O ambiente de trabalho em Startups é mais flexível mas a CLT engessa as possibilidades de implementar modelos que favoreceriam tanto ao empregador quanto ao empregado.

A vantagem de empreender no Brasil é que o mercado ainda está se construindo. Existem muitas oportunidades para Startups e os consumidores/usuários ainda não estão saturados por novidades como os Americanos.

O que você mais gosta na sua rotina diária?
Eduardo: Observar como cada colaborador chega ao trabalho. Sei que estou fazendo meu trabalho quando vejo a energia do pessoal ao vir pro trabalho e procuro resolver rapidamente as situações em que alguém não parece bem.

Como você se imagina em 10 anos?
Eduardo: Andando de carona para qualquer lugar do mundo.

Se você tivesse 1 bilhão de reais para melhorar o Brasil, como você gastaria o dinheiro?
Eduardo: Investindo na aproximação entre Universidades e Startups, minerando boas ideias dentro de universidades que não veem a luz em função da burocracia da estrutura atual e levando para as Universidades o conhecimento prático do empreendedorismo.



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Até a próxima!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups