Inovação em Cidadania: Conheça a Colab.re

Olá a todos,

O post de hoje é sobre a colab.re, uma startup que incentiva que as pessoas participem mais na gestão de sua própria cidade. Leia a entrevista com o Bruno Aracaty e conheça mais sobre o backstage dessa startup. Se você se interessou ou gostaria de deixar um comentário abaixo, sinta-se à vontade. Vamos à entrevista:

Como você descreveria a colab.re?
Bruno: Colab.re é uma rede social de cidadania, na qual cidadãos podem publicar problemas das cidades, propor melhorias urbanas, avaliar serviços públicos e participar da tomada de decisão e de utilização de recursos públicos. Do outro lado, a plataforma se conecta a prefeituras, outras entidades de governo, empresas de utilities e prestadores de serviço / concessões públicas oferecendo CRM, gestão de workflow e consultas públicas online. O Colab.re possui mais de 100mil usuários no Brasil e mais de 90 clientes, incluindo prefeituras como Curitiba, Porto Alegre, Santos, Campinas, Niterói, Natal, Pelotas, Brasília e Salvador.

De onde veio a ideia?
Bruno: O Colab.re surgiu por vermos que o cidadão brasileiro naturalmente usa as redes sociais para expor problemas e debater sobre melhorias das cidades brasileiras. Enquanto trabalhávamos no marketing digital de algumas campanhas políticas nas eleições municipais de 2012, vimos que isso acontecia em por todo o país, ao mesmo tempo em que, por estarmos muito próximos a esses prefeitos/candidatos, enxergamos também que grande parte dessa demanda exposta pela população não era estruturada e acabava sem efeitos práticos imediatos por parte da gestão. Por isso, criamos o Colab.re, para servir como uma ponte ligando, de um lado, cidadãos querendo falar e ser ouvidos e, do outro lado, o poder público sem conseguir agir efetivamente. Tudo isso começou em março de 2012, com o que chamamos de “campanha colaborativa”, na qual as propostas de governo seriam baseadas na participação efetiva das pessoas, migrando depois para o conceito atual de gestão colaborativa.

O que você mais gosta no setor?
Bruno: O fato de podermos promover o empoderamento do cidadão no que tange a melhoria da qualidade de vidas das pessoas nas cidades, ao mesmo tempo em que buscamos transformar os governos de dentro para fora, trazendo eficiência e sustentabilidade no uso dos recursos públicos.

Como você obtém feedback de seus clientes?
Bruno: Hoje, temos duas equipes focadas em obter feedback dos usuários e clientes, trabalhando em melhorar o engajamento na plataforma. Uma dessas equipes interage diretamente com os cidadãos e a outra trabalha diretamente com as pessoas de dentro das entidades públicas. Recebemos feedbacks tanto de forma estruturada, em momentos de pesquisa, quanto de forma espontânea, a partir do momento em que a nossa rede se importa com o melhor funcionamento de plataforma.

Como você sabe se o produto está resolvendo as necessidades dos clientes?
Bruno: Quantitativamente, analisando os números de cidadãos na rede, de publicações feitas, além das taxas de resposta/atendimento e solução. Qualitativamente, através dos feedbacks espontâneos e obtidos nas pesquisas.

Qual foi o principal desafio que você enfrentou até hoje na sua startup?
Bruno: O principal desafio foi adaptar as métricas e a lógica das startups para o mundo do empreendedorismo de impacto social positivo. Entendermos que os recursos necessários, o ciclo de venda e a metodologia de desenvolvimento de produto são diferentes e possuem nuances específicas do setor foi um enorme desafio, pois impacta a relação com o time, com investidores e com a própria expectativa dos sócios. Hoje, somos referência mundial no setor e ter superado esse desafio foi um dos principais passos que demos na nossa história.

Quais são as vantagens de ser um empreendedor no Brasil? E as desvantagens?
Bruno: Olhando para o cenário de empreendedorismo no Brasil, a grande vantagem é a quantidade de desafios e problemas que temos para resolver, aliada à criatividade do brasileiro. O maior obstáculo, por sua vez, está na cultura das pessoas. Esse fator cultural influencia tanto os que querem empreender, mas nunca tiveram a educação ou a estrutura comportamental desenvolvida para tal, quanto o ambiente como um todo, que falha em permitir - ou admitir - erros e reconstruções. Além disso, há os obstáculos óbvios e que, invariavelmente, afetam a todos, como: excesso de burocracia, capital caro e de difícil acesso, e escassez de profissionais qualificados.

O que você mais gosta na sua rotina diária?
Bruno: Eu não possuo algo que posso chamar de “rotina diária”. Mas, alguns dias, quando não estou viajando, vou a pé de casa para o escritório ouvindo música ou ouvindo podcasts. É um momento que limpo minha mente e me preparo para o que preciso fazer durante o dia.

Como você se imagina em 10 anos?
Bruno: Em 10 anos, gostaria de estar multiplicando tudo o que aprendi e ajudando outros empreendedores a ter sucesso causando impacto positivo no mundo.

Se você tivesse 1 bilhão de reais para melhorar o Brasil, como você gastaria o dinheiro?
Bruno: Eu financiaria a contratação do Colab.re para todos os governos e prefeituras do país.

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Até a próxima!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups

Foto por Lais Papaleo