Empreender em Sustentabilidade: Entrevista com o Csaba Sulyok, Fundador do Cosol - Condomínio Solar

O entrevistado de hoje é o Csaba Sulyok, fundador do Cosol - Condomínio Solar. Na entrevista ele explica como funciona o Cosol, os principais desafios que eles vêm enfrentando e a experiência de empreender no Brasil. Confira:

Csaba Sulyok
Csaba Sulyok
De onde veio a ideia do Cosol? Como tudo começou?

Sou formado em Administração Internacional e Economia pela Universidade Oxford Brookes, instituição referência no mundo em temas relacionados a sustentabilidade. Há cinco anos no Brasil, em Salvador, me tornei Mestre em Engenharia Industrial pela Universidade Federal da Bahia, instituição onde atualmente faço doutorado em Energia e Ambiente. Durante todo o meu percurso acadêmico, sempre me interessei pelo tema sustentabilidade. Tive a sorte de chegar no Brasil em um momento favorável para a idealização da Cosol, com a equipe de pesquisa da UFBA muito engajada no assunto e com o governo brasileiro fomentando as discussões acerca da geração remota, regulamentada no final do ano passado. É nesse contexto que surge a Cosol, projeto concebido por mim juntamente a pesquisadores da Universidade Federal da Bahia no ano passado.


Como você descreveria o Cosol?

A Cosol é um novo modelo de produção de energia solar, que permite dobrar a eficiência da produção de energia. A empresa vai funcionar como um condomínio de casas, onde são adquiridos lotes de tamanhos e potencial de geração diferentes, mas no lugar das casas, estarão placas solares. Com capacidade de 5 MW, o condomínio será construído por intermédio do consórcio formado pelos adquirentes – pequenas e médias empresas sediadas em qualquer cidade da Bahia. A energia produzida será disponibilizada para a rede de distribuição da concessionária de energia, no nosso caso a Coelba, gerando créditos que serão descontados na conta de energia dos participantes. Os interessados podem adquirir os lotes para utilização da energia em suas empresas, ou apenas como investimento, alugando o espaço para outras empresas (como um aluguel de casas). Assim, as empresas poderão economizar cerca de 80% do valor da conta de luz investindo em um lote solar, ou de 10% caso apenas alugue o lote. Ou seja, economizará em ambos os casos.

Qual foi o principal desafio que você enfrentou até hoje no Cosol?

Por ser algo pioneiro, as dificuldades têm sido fazer com que as pessoas entendam como funciona a geração remota e, ao mesmo tempo, desmistificar a ideia de que a energia solar é "fraca". Para tanto, temos realizado palestras - todas com casa cheia - onde abordo o tema e respondo a todas as dúvidas da plateia, normalmente composta por empresários, profissionais ligados ao setor e estudantes. Também disponibilizo todos os meus contatos nos nossos canais de comunicação online (site e redes sociais), onde respondo dúvidas e forneço informações pertinentes à difusão do conhecimento sobre a Cosol e temas como geração remota e energia solar. Importante ressaltar que desenvolvemos um novo modelo de produção de energia solar, que permite dobrar a eficiência da produção de energia. É que, além de se apresentar como modelo mais econômico de geração de energia solar entre os já existentes, o novo mecanismo desenvolvido pela Cosol dobra a eficiência da energia solar por três motivos. O primeiro é a localização do empreendimento em Bom Jesus da Lapa, município localizado no Semiárido baiano, com alto índice de insolação. Isso porque a potência do sol é variável a depender da localização geográfica. Se comparada a outras zonas do estado, a região tem uma grande vantagem. No litoral, por exemplo, a nebulosidade bloqueia uma parte da radiação. A diferença chega até 20% e isto determinará o retorno do investimento dos adquirentes. Outro fator que aumenta a eficiência da energia solar no mecanismo criado pela Cosol é o rastreamento solar chamado tracker, que torna as placas móveis e capazes de acompanhar a movimentação do sol. Isso permite que os painéis captem toda a radiação do dia, sem desperdícios, diferentemente dos sistemas instalados nos telhados de casas e prédios, que são estruturas fixas e susceptíveis ao sombreamento de construções mais altas. Na localidade escolhida para a instalação do condomínio solar da Cosol não existe esse risco, por estar em uma vasta zona deserta. Terceiro fator dessa eficiência excepcional resulta da economia pela escala da planta. Uma usina de 5 MW tem um custo por unidade de potencial instalada 30% menor se comparado às instalações pequenas individuais. 




O que mais consome seu tempo hoje em dia no Cosol?
Atualmente tenho me dedicado a apresentar a Cosol em eventos em todo o país, encontros com clientes e investidores para detalhar nosso modelo de negócio, além de gerenciar a empresa. O contato com o público, a transparência em nossos negócios e a procura por soluções inovadoras e ainda mais sustentáveis é algo que priorizamos e a que dedicamos bastante tempo.

Do que você mais gosta no setor? Por que escolheram empreender nesse setor?

O que me inspira nesse setor é a possibilidade de estruturar um negócio lucrativo, que é bom para o consumidor - que compra energia mais barata, para toda a população - que ganha pela geração de postos de trabalho e com uma fonte de energia não poluente, e para o meio ambiente. Assim, decidimos empreender pela grande oportunidade que é, hoje no Nordeste, o setor de energias renováveis, sobretudo a solar e eólica. Depois de analisar o mercado, a nova legislação e a viabilidade do projeto decidimos realizar esta empreitada, que, além da possibilidade de poder oferecer energia de maneira mais limpa e sustentável traz grandes vantagens econômicas para o consumidor.

Qual o desafio de se empreender nesse setor no Brasil?

Os desafios no setor de energias renováveis são grandes. Posso citar a questão de legislação, que ganhou o apoio do governo, cuja nova resolução normativa REN 687/15 passou a valer a partir de 1º de março deste ano. Esse foi um grade avanço, mas o sistema financeiro ainda precisa adequar as linhas de investimentos e financiamentos para este tipo de negócio. Outro ponto para se ter em mente é a aculturação do brasileiro em relação às vantagens das energias renováveis e acabar com a estranheza que alguns setores ainda tem com este tipo de produção energética que é uma realidade cada vez mais presente.

Como você avalia se está tendo bons resultados ou não?

Avaliamos pelo número de empresas e investidores interessados que tem procurado a Cosol e apesar de estar há pouco tempo em operação a Cosol tem tido resultados significativos.

O que será o Cosol em 5 anos? E em 10 anos?

Nosso objetivo é de em cinco anos sermos uma empresa consolidada e expandir nosso mercado para todo o Nordeste e em dez anos, queremos multiplicar nossos projetos em todo o Brasil.

Como você vê o empreendedorismo no Brasil hoje? Que mudanças você prevê para os próximos anos?

Nos últimos três anos o empreendedorismo no Brasil aumentou devido à crise financeira, porém este é um fenômeno mais antigo que tem se apoiado não só pela necessidade dos empreendedores, mas pelas oportunidades que estes veem e que têm aproveitado. Isso é muito positivo e acredito que tende a crescer, pois as gerações mais jovens encaram o empreendedorismo não tanto como uma tábua de salvação, mas como um novo estilo de vida e de trabalho. Para que o ambiente empresarial melhore é essencial a diminuição da burocracia, a simplificação da legislação e que haja incentivos para o empresariado.

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Até breve!

Luiza S. Rezende
Advogada empresarial especializada em startups
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